Para uma filosofia do futuro Avanços tecnológicos que permitem ao homem interferir em suas próprias condições de existência subvertem o conceito de "ser", categorias como "natural" e "produzido" e a relação de igualdade entre os homens, fazendo necessária uma nova Filosofia
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Oswaldo Giacoia Jr. é professor da UNICAMP.
Pós-doutor pela Universidade Livre de Berlim, pela Universidade de Viena e Universidade de Lecce, Itália.
Ofereceu curso sobre matemática na Casa do Saber - RJ.
ogiacoia@hotmail.com |
A imagem judaico-cristã tanto do tempo como da história tem um sentido vetorial prospectivo, pelo qual o futuro é a dimensão da verdade e realização. Em chave teológica, o tempo histórico é a economia da salvação, o plano de Deus para elevar até Si a humanidade corrompida pelo pecado. Essa figura marca uma diferença em relação à representação cíclica do tempo, na antiguidade grega, cujo símbolo é Cronos a devorar os próprios filhos.
Na história do ocidente cristão, o Esclarecimento é uma variante secular dessa 'escatologia redentora', cujas esperanças estão depositadas nas luzes da razão e nos recursos da tecnologia, capazes de resolver os mais importantes enigmas do universo e garantir o domínio humano sobre as forças da natureza, realizando a justiça nas relações entre os homens. Para o Aufklärer Immanuel Kant, o progresso do conhecimento teórico, acompanhado pela apropriação técnico-pragmática da natureza, por um lado; sua utilização em benefício da dimensão éticopolítica de uma humanidade concebida em referência a valores como autonomia, dignidade, justiça, por outro lado, fornecem a chancela para uma interpretação da história universal como plano de realização de um milenarismo filosófico:
A história seria a execução de um plano oculto da natureza que conduz a um progressivo aperfeiçoamento moral e político da humanidade. "Vê-se que a filosofia também pode ter o seu quiliasmo; mas será um quiliasmo tal que, para a sua emergência, a sua idéia pode, embora apenas de longe, ser igualmente estimulante, portanto, nada fantasiosa."
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A respeito desse milenarismo, a lição de Karl Löwith é ilustrativa: "O futuro é o verdadeiro ponto nuclear da história, pressuposto que a verdade assente no fundamento religioso do ocidente cristão, cuja consciência histórica é determinada pelo motivo escatológico: de Isaias até Marx, de Santo Augustinho até Hegel, e de Joaquim até Schelling. A significação dessa direção do olhar voltada para um fim último, como finis e como telos consiste em que ela proporciona um esquema de ordem progressiva e de dotação de sentido que pôde superar o antigo temor diante do fatum e da fortuna."2 Humanizar a natureza e naturalizar as relações humanas em sociedade - o progresso da Ciência está atrelado aos supremos interesses da razão, que são de ordem éticopolítica.
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