Além do DIVÃ A Psicologia Hospitalar, caracterizada pelo trabalho em equipes multi e interdisciplinares, é desafio para os profissionais atuarem na minimização do sofrimento causado pela hospitalização e em suas seqüelas emocionais
Por Kátia Regina Beal Rodrigues
Medicina, a Psiquiatria e a Psicologia têm se desenvolvido de forma independente dentro do contexto hospitalar e o atendimento acabou tornando- se setorizado. A Psicologia, por sua inserção tardia neste âmbito, acabou por ter sua prática posta em segundo plano. A doença mental ficou com um status secundário à doença física.
Apesar do avanço das especialidades médicas, a demanda por uma visão integradora do processo de adoecer é crescente, uma vez que a doença mental é cada vez mais comum.
Existe, atualmente, a necessidade de um esquema teórico-conceitual que explique as interações entre os fenômenos biológicos, psicológicos e sociais, e que leve a uma prática integradora das diversas áreas da saúde.
A vida, a doença e até mesmo a morte constituem- se como aspectos que devem ser considerados de forma multidisciplinar e precisam ser estruturados e tratados por diferentes profissionais: médicos, psicólogos, enfermeiros, entre outros profissionais de saúde, por esta razão discutimos a importância do psicólogo no hospital. A doença e a morte, na visão psicológica só podem ser entendidas numa perspectiva dialética, já que não podem ser consideradas como estados. A saúde implica a doença, bem como esta implica aquela. A morte, então, também numa perspectiva dialética, coexiste com a vida, logo, coexiste com a doença.
Numa visão mecanicista e cartesiana, há a crença de que a técnica e a ciência conseguiriam compreender todos os males, inclusive da morte. A Medicina, como ciência cartesiana, desenvolve toda uma tecnologia a fim de lutar para que o ideal cartesiano de supressão de todos os males se efetive.
A Psicologia, que não exerce a cura, e sim o cuidado, não se preocupa com a tecnologia, mas sim com o humano. Importa ao psicólogo o sentido dado, por aquele que está doente, bem como o de seus familiares, à doença, à vida e à possibilidade do morrer.
| Psicologia, saúde e instituição |

Segundo Angerami-Camon (2002) a Psicologia da Saúde agrega o conhecimento educacional, científico e profissional da disciplina Psicologia para utilizá-lo na promoção e na manutenção da saúde, na prevenção e no tratamento da doença, na identificação da etiologia e no diagnóstico relacionado à saúde, à doença e às disfunções, bem como no aperfeiçoamento do sistema de política e da saúde. A Psicologia da Saúde está, portanto, preocupada com a promoção da saúde, e com a minimização do sofrimento do paciente em caso de doença, visando à elaboração dos conflitos emocionais. A Psicologia da Saúde trabalha dentro de uma normatização institucional, que envolve a prática do psicólogo na instituição hospitalar. As instituições têm características peculiares que distam daquilo que é abordado na prática hospitalar e, para tanto, o trabalho do psicólogo difere da prática clínica em consultório.
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A atuação do psicólogo na instituição hospitalar deve, principalmente, evidenciar o sentimento do paciente. O psicólogo na perspectiva fenomenológico-existencial deve ter em mente o aspecto humano, permitindo que o paciente expresse seus sentimentos de forma a elaborar o momento que está vivenciando e possa participar de tudo que lhe acontece. No entanto, cuidar de falar aquilo que pode ouvir e a seu modo, tratar a doença como algo inerente àquele indivíduo em determinado momento, respeitar as diferenças individuais, fazendo de cada relação uma situação singular, colocar-se à disposição do paciente e seus familiares, bem como estabelecer um trabalho de rotina na visita às diferentes enfermarias.
O PSICÓLOGO NA INSTITUIÇÃO HOSPITALAR
DEVE, PRINCIPALMENTE, PERMITIR QUE O
PACIENTE EVIDENCIE SEU SENTIMENTO
MULTI E INTERDISCIPLINARIDADE
A saúde mental vem sendo foco de atenção desde a década de 50 quando se iniciou um processo de transformação da assistência psiquiátrica de forma que não mais se visasse à doença mental, mas à saúde mental. Ou seja, a meta passou a ser a prevenção. Com isso a multidisciplinaridade assim como a interdisciplinaridade passaram a ser questões presentes no âmbito hospitalar.
A equipe de atendimento integrada deveria trabalhar de forma multi ou interdisciplinar. Na equipe multidisciplinar há uma soma dos conhecimentos setorizados de forma que cada profissional possa colaborar igualmente do processo terapêutico, cada um com seu conhecimento específico e separado. Este seria um passo inicial no atendimento integrado. O próximo passo, o ideal, seria, então, a equipe interdisciplinar, nas quais os conhecimentos são integrados como um único saber que visa o bem-estar do paciente como um todo, e não de forma setorizada.
A equipe multidisciplinar pode ser definida como um grupo de profissionais que atuam de forma independente em um mesmo ambiente de trabalho, utilizando-se de comunicações informais. Dessa forma, os profissionais de saúde se unem pelo fato de a tarefa ocorrer em um mesmo ambiente, não necessariamente partilhando suas tarefas, constatações e responsabilidades que visariam aprimorar o serviço.
O trabalho de colaboração em equipe distingue-se pela uniformidade dos objetivos a serem atingidos, realçando as relações de troca entre os diferentes membros. Assim, o trabalho de colaboração da equipe corresponderia ao trabalho em equipe interdisciplinar. A equipe interdisciplinar é definida como um grupo de profissionais, com formações diversificadas que atuam de maneira interdependente, intere-relacionando-se num mesmo ambiente de trabalho, por meio de comunicações formais e informais. "A delimitação do papel profissional acompanha as expectativas dos outros membros da equipe quanto ao papel que o profissional em questão deve exercer, acrescidas das próprias expectativas do profissional sobre sua capacidade de realização e de interpretação das expectativas dos outros. As normas também exercem uma importante função para a execução das tarefas e para a manutenção do trabalho em equipe no hospital. Referem-se às regras implícitas, à noção coletiva de funcionamento da equipe e a resolução de problemas" (ANGERAMI-CAMON, 2002, p.106).
A visão biopsicossocial da saúde ainda permanece como um ideal. E com base nisso Angerami-Camon (2002) enfatiza que a atuação do psicólogo no contexto hospitalar não está somente limitada à atenção direta aos pacientes, estando a tríade paciente-família-equipe de saúde sempre fundamentando a atuação do profissional. Cabe ao psicólogo participar de equipes multi e interdisciplinares, nas quais o seu saber será compartilhado com outros membros, com formações e práticas distintas.
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