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JÁ PARA O INCONSCIENTE!
Como Freud criou a teoria do recalque, quais repercussões deste mecanismo em nossas vidas e como ele é registrado nos consultórios na relação analista-analisando

Por Ana Lucilia Rodrigues

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Tal como na noite do inconsciente, ontem e hoje sobrepõem-se parcialmente, o que estava morto retorna à vida, a memória tem melhor sorte que o esquecimento. É na memória que me ocorre uma passagem sobre Sigmund Freud, o criador da Psicanálise, o instaurador da terceira ferida narcísica com o conceito de in- consciente, ao lado de Copérnico e Darwin: "Entre as 23 horas e duas da manhã, Freud estrutura, imagina, pesquisa, intui, constrói, compõe, fixa no papel suas idéias, suas intuições, suas leituras, sua experiência clínica, seus sonhos. Desde a juventu- de, seu desejo mais caro é o de perturbar o sono do mundo."

Só poderia ser ao final do dia que Freud se sentaria em seu consultório para escrever, colocar em curso sua obra, após haverem passado por seu divã vários registros da condição humana ao mesmo tempo, assim como sonhos, silêncios, o possível, o impossível e todos os espelhos do "eu" inquietantes e familiares. Foi desta maneira que pouco a pouco, ora como um "vidente" ou como "um mestre visual", tentava formar "cartas geográficas" cada vez mais detalhadas do aparelho psí- quico. Deixou um legado de formulações, de engrenagens, de esboços, de contribuições, de ensaios, de observações... Assim como revelam claramente os títulos de seus artigos. Ja- mais propôs aos seus leitores um entendimento dogmático de sua obra; ela se assemelha muito mais a um canteiro, sempre aberto sujeito às investigações que estão sempre em curso.

Pequeno glossário

Pulsão: termo surgido na França em 1625, derivado do latim pulsio, para designar o ato de im- pulsionar. Empregado por S. Freud a partir de 1905, tornou-se uma grande conceito da doutrina psicanalí- tica, definido como a carga energética que se encontra na ori- gem da atividade mo- tora do organismo e do funcionamento psíquico inconsciente do homem.

sHutterstocKRecalque: na linguagem comum, a palavra recalque designa o ato de fazer recuar ou de rechaçar alguém ou alguma coisa. Para Freud, o recalque de- signa o processo que visa a manter no inconsciente "todas as idéias e representações liga- das às pulsões e cuja realização, produtora de prazer, afetaria o equilíbrio do funcio- namento psicoló- gico do indivíduo, transformando-se em fonte de des- prazer". Freud, que modificou diversas vezes sua definição e seu campo de ação, considera que o re- calque é constitutivo do núcleo original do inconsciente. No Brasil também se usa recalcamento.

Regra fundamental: regra constitutiva da situação psicanalíti- ca, segundo a qual o paciente deve esforçar-se por dizer tudo o que lhe vier à cabeça, principal- mente aquilo que se sentir tentado a omitir, seja por que razão for.

Resistência: termo empregado em Psicanálise para designar o conjunto de reações de um paciente cujas ma- nifestações, no con- texto do tratamento, criam obstáculo ao desenrolar da análise.

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