METODOLOGIA Atualidades da Análise do COMPORTAMENTO Após superar diversos mal-entendidos, o Behaviorismo Radical evolui, se reelabora e revela sua aplicação prática, muito além dos primeiros conceitos de seu expoente maior B. F. Skinner
Por Alessandro Vieira dos Reis
Programas de pós-graduação pautados pela Análise do Comportamento crescem em todo o país. Isso também acontece com as Jornadas de Análise do Comportamento (JACs), eventos que reúnem universitários e profissionais. Duas novas revistas científicas nacionais sobre o tema foram criadas há poucos anos. Esses fatos atestam que o número de analistas do comportamento está aumentando no Brasil, especialmente entre pesquisadores.
Após a superação de diversos mal-entendidos e de obstáculos para o estudo do Behaviorismo nas faculdades de Psicologia, mais e mais pessoas estão descobrindo nele uma alternativa científica para os dilemas da Psicologia, incluindo o de sua aplicação prática.
CIÊNCIA DO COMPORTAMENTO
A premissa central do Behaviorismo Radical (BR) é que o objeto de estudo da Psicologia é o comportamento e que esse pode ser estudado de forma científica. A partir dessa filosofia, é criado um braço técnico- científico chamado "Análise Experimental do Comportamento" (AEC). Esta entende que a atuação de seus profissionais deve ser regida por regras da Ciência, como critério, rigor e clareza. Da mesma forma, por sua porção de Tecnologia, também deve servir para resolver problemas concretos da sociedade.
Aos praticantes da Análise do Comportamento não é aceitável a divagação, perder-se em modelos puramente teóricos. Para o Analista do Comportamento, a teoria só faz sentido mediante a validação pela prática.
Há profissionais que adotam essa visão em todas as áreas de atuação da Psicologia: na clínica, em empresas, escolas, em pesquisa básica na Academia, em ONGs, e até em desenvolvimento de mídias interativas para computadores (meu caso, aplicando Análise do Comportamento para realizar game design).
ATUALIDADES: BEHAVIORISMO NÃO É SÓ SKINNER
Há quem pense que o Behaviorismo Radical se resume a B. F. Skinner, seu fundador e expoente maior. Mas o fato é que muitos outros nomes se somam a essa iniciativa. Para falar dos mais famosos, podemos citar Sidman e sua cruzada contra a coerção, bem como Catania e seu estudo sobre a aprendizagem de comportamentos regidos por regras (ver indicações de leitura no final deste artigo).
A Clínica Comportamental também evoluiu muito desde seu tumultuado advento. A terapia derivada do Behaviorismo foi confundida com outras modalidades terapêuticas por conta de mal-entendidos como os do psicólogo cognitivista Eysenck, autor da infeliz frase: "Removidos os sintomas, obtém-se a cura". Os maiores destaques da autêntica Terapia Comportamental, que superam em muito o conceito de Eysenck, são atualmente a Functional Analytic Psychotherapy (FAP), de Kohlenberg e Tsai, e a Acceptance and Commitment erapy (ACT), de Hayes.
Para destacar uma aplicação, um dos setores em que a Clínica Comportamental mais vem apresentando notáveis resultados é no atendimento a indivíduos autistas.
PARA ONDE O PRESENTE APONTA?
Uma forte tendência na Ciência do Comportamento é expandir seus horizontes para outras aplicações além da Clínica. Muitos pesquisadores defendem que o futuro do Behaviorismo está em se dedicar ao comportamento social humano.
Corroborando com essa tese, aumenta o número de behavioristas fazendo pesquisas básicas e aplicadas em Psicologia Social e Comunitária, nas quais contingências envolvendo agrupamentos humanos ocupam o lugar central da atuação.
Segundo o pesquisador brasileiro Kester Carrara, o comportamento verbal é uma das mais importantes fronteiras ainda pouco exploradas de pesquisas. Esse tópico revela a importância da linguagem não apenas na comunicação, mas na influência social que exercemos nos comportamentos alheios.
Já na Educação, concretiza-se a "profecia" de Skinner, feita na década de 1980, pela qual o computador seria o instrumento pedagógico do futuro. Muitos trabalhos em Instrução Programada, a vertente pedagógica da Análise do Comportamento, vêm se destacando. Especialmente os que giram em torno de "objetos de aprendizagem".
Como posto no início do artigo, cresce o número de jovens pesquisadores e aplicadores da Análise do Comportamento no Brasil. A tendência atual é de expansão nas universidades, consultórios e demais setores da sociedade.
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