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ABORDAGEM
A eterna busca da FELICIDADE
As contribuições da Psicologia Positiva para a compreensão do que auxilia as pessoas a serem ou não felizes e a evolução conceitual de que o que procuramos nada mais é do que nosso bem-estar subjetivo

Por Juliana Teixeira Fiquer e Emma Otta

Na Filosofia, na Literatura e nas ar- tes em geral, há uma longa tradi- ção de conceber a vida como uma tragédia. Sófocles, na tragédia Oe- dipus at Colonus, disse: "Not to be born is, past all prizing, best".1 Machado de Assis, em Memórias póstumas de Brás Cubas, escreveu: "Não tive fi- lhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria". O cineasta americano Woody Allen classificou a vida em dois tipos: aquela que é horrível e aquela que é apenas miserável.

A Psicologia durante muito tempo também deu mais ênfase a questões relacionadas à do- ença do que à saúde. Você já deve ter notado que os psicólogos são mais comumente chama- dos a analisar situações em que as populações sobrevivem e resistem a adversidades do que a discutir o desenvolvimento de pessoas saudá- veis em condições benignas. Entretanto, após a Segunda Guerra Mundial, o conceito de feli- cidade passou a servir como objeto de estudos quantitativos sistemáticos no campo de estudo da Psicologia, mais especificamente na área da Psicologia Positiva. O pós-guerra revelou que algumas pessoas bem-sucedidas e autoconfian- tes tornaram-se incapazes e desanimadas - uma vez que a guerra removera todos os seus suportes sociais -, enquanto outras pessoas mantiveram sua integridade e capacidade de li- dar com o caos circundante. Diante de tal dis- crepância, aumentou o interesse por pesquisas voltadas à investigação de recursos/fatores que fossem responsáveis pelo bem-estar, felicidade e pela qualidade de vida.

 
"Felicidade", proveniente do latim felicitas, vem de felix: algo ditoso, afortunado. Num sentido amplo, é a ausência de todo o mal e a vivência plena do bem.

Pesquisas realizadas desde então têm mos- trado que as pessoas têm uma visão muito mais otimista da vida do que supunham os filósofos, escritores e artistas. Por exemplo, numa pesquisa realizada nos Estados Unidos, participantes solicitados a indicar a pessoa que consideravam mais feliz responderam: Oprah Winfrey (23%), Bill Gates (7%), o Papa (12%), Chelsea Clinton (3%), você mesmo (49%) e não sei (6%). No Brasil, uma pesquisa recente realizada com habitantes das cidades de João Pessoa-PB, Salvador-BA, São Paulo-SP e Socorro-SP, revelou que, enquan- to 87% das pessoas escolheram fisionomias esquemáticas que expressavam alegria para re- presentar seu sentimento em relação à própria vida, apenas 9,4% dos participantes escolhe- ram fisionomias neutras e 3,6% escolheram as que representavam tristeza.

(1) "Não nascer é melhor, apesar de todos os prazeres."

TEORIAS PSICOLÓGICAS
Contas a pagar, congestionamentos freqüentes, necessidade de fazer dietas, obrigação de acordar cedo para trabalhar... As evidências destacadas por pesquisas de que a maioria das pessoas tende a se sentir bem e satisfeita com a própria vida parece demonstrar que, mesmo diante dessas dificuldades do dia-a-dia, emoções e sentimentos positivos sobrevivem e permeiam a vida das pessoas. Algumas teorias psicológicas buscam auxiliar a compreensão do que resultaria em felicidade para os indivíduos. Nas concepções das teorias télicas, o sentimento de felicidade resulta da satisfação de necessidades, enquanto a infelicidade resulta da insatisfação persistente delas. Para alguns pesquisadores, tais necessidades seriam universais, enquanto para outros elas seriam diferentes entre os indivíduos.

"FELICIDADE" APRESENTA UMA DIVERSIDADE DE CONOTAÇÕES ASSOCIADAS, LOGO O USO DE "BEM-ESTAR SUBJETIVO" É MAIS INDICADO


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