Escravos do sexo Busca desregrada por parceiros e sexo solitário marcam de formas distintas a compulsão sexual de homens e mulheres, mas para ambos a perda do autocontrole causa impactos dolorosos em suas vidas
Por Agência Notisa de Jornalismo Científico

Uma é pouco, duas é bom e três é demais? Se o que está em jogo é número de relações sexuais, a resposta varia de indivíduo para indivíduo. Não apenas porque cada um tem seu próprio "apetite sexual", mas também porque quantidade, neste caso, não sinaliza necessariamente um estado saudável. Apesar de ser adotado como critério que determina a qualidade de vida pela Organização Mundial da Saúde, sexo - quando praticado em excesso - pode, sim, fazer mal e ser sintoma de outro problema: uma compulsão.
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| A falta de um filho como projeto de vida comum estimularia algumas relações homossexuais a basearem-se só em sexo |
Tal quadro já vem sendo discutido há, pelo menos, mais de um século na esfera moral, mas passou a ser alvo de investigações científicas no ramo da saúde mental apenas a partir da década de 1990. De acordo com Aluyzio Augusto D´Abreu, membro da Federação Brasileira de Psicanálise, na compulsão sexual - assim como em outros tipos - há um impulso incontrolável para realizar um determinado ato. "Pensemos na compulsão alimentar, por exemplo. Comer é um ato saudável, mas se torna patológico quando o indivíduo está sem apetite, mas continua comendo. No caso do sexo, a pessoa se relaciona com outra, mesmo quando não sente tesão", explica. Na maior parte das vezes, o comportamento se caracteriza pela repetição de relações, mas para D´Abreu, isso não chega a ser uma regra. "Uma pessoa pode fazer sexo uma vez ao dia compulsivamente, sentindo-se angustiada enquanto não concretiza sua vontade. Tal situação é totalmente diferente de um casal em lua-de-mel, que transa várias vezes por sentir prazer de estar junto", afirma.
Essa opinião também é compartilhada pelo psicólogo Oswaldo Rodrigues Júnior, coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas do Instituto Paulista de Sexualidade (GEPIPS). Segundo ele, o problema costuma ser percebido apenas quando a sensação de sofrimento relacionada a cada relação se torna expressiva. "Muitas pessoas demoram dez ou até mesmo 20 anos para perceber que o comportamento é errado ou não-saudável. Deixam de buscar uma solução adequada para a real causa de ansiedade que sentem e optam por um caminho que deixa a impressão de que estas questões estão acertadas", explica.
| Homossexuais são mais promíscuos? |
Uma das polêmicas levantadas ao discutir compulsão sexual é a de que indivíduos homossexuais seriam mais promíscuos. No que diz respeito aos homens, não há muita diferença em relação à troca de parceiros quando os indivíduos são solteiros, acredita a psiquiatra Carmita Abdo. "Há 30 anos, os homossexuais tinham mais necessidade de se fazerem respeitar, mas, hoje, estão cada vez mais tranqüilos com a sua condição, pois a sociedade está menos preconceituosa. As pessoas sabem cada vez mais que não é uma questão de escolha, mas de condição genética, sobre a qual incidem vários fatores, entre eles o meio em que a criança foi criada, os valores educacionais transmitidos a ela", opina.
Contudo, quando a análise é estendida a homem casados, a médica encara a situação de forma diferente. Segundo Carmita, o homem que mantém relações com uma mulher tende a querer mais sexo que ela, mas, para que o casal esteja em harmonia, um se ajusta ao ritmo do outro e chegam num consenso. "Já no caso de dois homens, é provável que a freqüência seja maior, de acordo com a necessidade e o desejo de ambos", ressalta.
A especialista também chama a atenção para outro fato: casais homossexuais geralmente não constituem família, já que não têm filhos. "Isso faz com que as relações sejam mais instáveis, sendo a atração sexual o principal elo entre as partes. No caso de heterossexuais, a criação dos filhos propicia um projeto de vida comum entre o casal, o que mantém esta união mais estável e não tão focada no sexo", diz. |
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