Por que votamos neles? Opinião própria, manipulação eleitoral, consciência, impulso, identidade coletiva, ideologia: o que motiva a escolha do nossos votos?
Por Agência Notisa de Jornalismo Científico

Enquanto você permanece em dúvida sobre em quem votar nas próximas eleições, especialistas em comportamento eleitoral no Brasil e em outras partes do mundo neste momento já elaboram estratégias para entender como funciona seu processo de decisão. A Psicologia Política, disciplina que desenvolve estudos desse tipo, sistematicamente vem apresentando novos dados sobre diferentes processos de subjetivação para a escolha do voto. Com base em conceitos psicossociológicos como identidade social, consciência social e identidade coletiva, o resultado dessas investigações ajuda no trabalho daqueles que moldam estratégias de persuasão em campanhas de candidatos a cargos políticos e também explicam aos pesquisadores como certos conceitos refletem nas relações entre os grupos sociais.
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| Nas eleições de 2002, as ideologias de Serra e Lula eram claramente antagônicas |
“O comportamento de votar tem sido estudado no campo da Psicologia Política por muitos anos, e ele é visto não como um comportamento individual, mas sim como um comportamento mediado por elementos subjetivos, como, por exemplo, as crenças, as representações sociais, os afetos associados a tal ato, a história de vida”, explica Marco Aurélio Maximo Prado, professor do Núcleo de Psicologia Política (NPP) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo ele, a relação entre ideologia e participação não pode ser analisada desconsiderando esses aspectos subjetivos que constituem o pensamento, a ação e as emoções humanas.
É com esse objetivo que Salvador Sandoval, um dos precursores do estudo da Psicologia Política no Brasil e coordenador do Núcleo de Psicologia Política e Movimentos Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), mostra que a busca pela compreensão do comportamento dos eleitores pode ser ponderada por perguntas bastante corriqueiras: “por que o indivíduo decide seu voto pelo santinho dado na fila para votar?”; “o santinho define de fato seu voto?”; “será que o santinho faz com que ele decida seu voto simplesmente por ir com a cara do candidato ali impresso?”; “ou o santinho apenas reforça uma opinião anterior à escolha do voto?”.
Salvador lembra que, no entanto, questionamentos como esses nem sempre possuem respostas imediatas. Na maioria das vezes, demandam constante investigação, uma vez que, se a Psicologia Política investiga os mecanismos subjetivos do voto, outras disciplinas, como a Ciência Política e o estudo da opinião pública, delimitam a conjuntura política do período analisado. Crises institucionais, crescimento econômico e políticas públicas também são tidos como fatores de grande importância no processo de escolha do candidato e, se não moldam o que muitos teóricos chamam de ideologia, são interiorizados pelo indivíduo como valores, corretos ou não.
INFLUÊNCIA DO VOTO: IDEOLOGIA E VALORES SOCIAIS
Yan de Souza Carreirão, professor do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em artigo publicado na edição de maio de 2002 da revista Opinião Pública, considera ideologia como um fator influente na decisão do voto para presidente. Partindo do conceito de identidade ideológica formulado pelo cientista político André Singer, Carreirão mostra que “identificação ideológica é a adesão a uma posição no contínuo esquerda-direita ou liberal-conservador que, mesmo sendo difusa, isto é, cognitivamente desestruturada, sinaliza uma orientação política geral do eleitor”.
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