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Memética, a nova ciência da cultura
O conceito que sugere explicações para certos comportamentos humanos se aproxima muito da idéia da genética, oriunda da biologia, mas ainda encontra oposição entre muitos cientistas sociais

Por Diego Caleiro

imagens: shutterstock / fotomongem: diogo franco d

O nome pode ser ainda pouco conhecido, mas a memética, que começa a ressurgir com força, não é uma ciência nova. Seu objetivo é explicar parte da evolução cultural a partir de uma perspectiva darwinista. Apesar da falta de consenso no meio científico, a idéia de “meme” ganha cada vez mais adeptos.

Meme foi um termo cunhado pelo pesquisador e divulgador científico Richard Dawkins (com formação em zoologia e etologia) e aparece pela primeira vez em seu livro O gene egoísta, de 1976. A idéia do autor era da existência de uma unidade cultural análoga ao gene, um replicador capaz de agir por conta própria. Dawkins não imaginou, então, que sua teoria pudesse gerar tantos seguidores – que multiplicaram o conhecimento deste conceito por meio de livros, artigos e até criando uma revista própria – e, ao mesmo tempo, tanta oposição, demonstrada por antropólogos, sociólogos, biólogos. A verdade é que a idéia dos memes ganhou vida própria. A despeito da falta de concordância entre aqueles que defendem e outros que criticam com veemência tal conceito, a discussão vem ganhando espaço.

Podemos definir meme como uma idéia que pode ser reproduzida, ou seja, é uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como os livros, ou na memória cerebral). Os memes podem ser idéias ou partes de idéias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos ou morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida como unidade autônoma. O estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação é conhecido como memética.

Entre exemplos de memes estão:
E=MC²
“A união faz a força”
Fatos de Chuck Norris
“Bond, James Bond”
“O senhor é um fanfarrão!”
Orkut

A pretensão da memética é compreender, a partir de unidades como essas, de que modo parte da cultura se organiza, por qual motivo algumas frases, idéias e expressões se fixam em nosso pensamento – como acontece com o refrão de uma música famosa, por exemplo – e compreender se o processo pode explicar parcialmente tanto o funcionamento psicológico quanto a evolução da cultura.

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