Especial In Treatment - Em terapia Os casos interessantes de transferência e contratransferência exibidos pela série da HBO em sua primeira temporada
Por Eduardo J. S. Honorato

Laura, Paul, Gina, Alex, Sophie.....todos esses personagens já se tornaram “amigos íntimos” dos alunos, bem como de profissionais e interessados no tema. É indiscutível o impacto que o seriado trouxe e o interesse que tem gerado. São inúmeros os debates no mundo virtual e há sempre um “frenesi” pelos próximos episódios.
Agora que conhecemos um pouco mais dos nossos personagens, com os quais dividimos o setting psicoterápico de Paul, temos a possibilidade de fazer algumas inferências sobre suas histórias.
LAURA
A apaixonante Laura continua arrebatando o coração dos telespectadores, mas o único que a interessa é Paul, de quem ela não consegue o tão almejado “amor”. É interessante perceber as suas resistências atuando, seja negando as interpretações, seja chegando atrasada a sua sessão. Paul está bastante influenciado pela sua contratransferência, deixando transparecer alguns pontos cegos da sua própria análise. É bem possível que ele esteja colocando em risco o processo analítico de Laura, e a melhor saída seria, como ele menciona, encaminhá-la para outro profissional.
Paul chega a se perder na sua contratransferência, deixando suas fantasias interferirem na análise de sua paciente. Percebendo isso, Laura tenta deixá-lo encabulado, chegando a contar detalhes sobre suas relações sexuais com Alex, deixando no ar certas suspeitas sobre a sexualidade dele (Alex), além de esperar alguma reação de Paul.
Entretanto, acho que Paul perdeu um pouco da sua “neutralidade”, pois deixou transparecer sentimentos SEUS em relação à transferência erótica de Laura. Neste episódio (1.15) Ele poderia tê-la confrontado sem expressar tanto seus sentimentos.
É interessante observar como Laura verbaliza, de maneira bem construída, seu amor por Paul e como ele é “real”. Paul está tão afetado por esta transferência erótica que acredito que ELE mesmo comece a acreditar na “veracidade” deste sentimento.
Quando Laura fala sobre a vida DELE (ser infeliz, carente etc.), ele “deixa” passar movimentos com a cabeça, sinalizando que concorda com o que ela diz.
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| Jake e Amy, um casal em crise, resolvem ir juntos para o analista |
É bem possível que Laura esteja “manipulando” Paul quando diz que “odiava a si mesma”, em uma tentativa de fazer com que lhe fizesse elogios e escutasse a “si” mesmo sobre os “possíveis” motivos para ele estar apaixonado por ela.
Um ponto interessante: alguns autores são bem “rígidos” quando citam orientações sobre o pagamento das sessões, chegando a serem “contra” pagamentos adiantados ou em bloco, pois o paciente precisa perceber que está pagando por sessão separada, e gerando reflexões. Quando Paul permite que Laura pague em uma próxima sessão, ele abre a possibilidade de entendimento dela de que não houve uma sessão, uma vez que muitos conteúdos do próprio terapeuta foram expressos ali, indevidamente.
Quando uma transferência erótica é trabalhada de maneira incorreta, já sabemos o que irá acontecer, e, no episódio 1.21, podemos ver nitidamente o que Freud escrevera. Apesar de Paul tentar encaminhar Laura para outro profissional, esta reage e decide por si só terminar sua terapia. Mas não sem antes dar uma abertura a Paul para interpretar um incidente aparentemente sem qualquer significado, que ocorrera na semana.
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