Bienal Bienal das pesquisas familiares Num festival de títulos, a maior feira do setor literário primou principalmente por lançamentos que tinham o seguinte enfoque: a vida e as relações entre pais e filhos
Por Sérgio Pereira Couto
Todos os anos a Bienal Internacional do Livro é esperada com uma certa expectativa não só pelos profissionais ligados diretamente ao segmento editorial como também pelo meio acadêmico, principalmente por aqueles que esperam oportunidades de trocar idéias e experiências.
Para esta última categoria, a 20ª edição do evento foi uma verdadeira avalanche de teses e estudos de casos. Alguns com mais, outros com menos destaque, o que força o visitante (principalmente se ele for ligado à área de Ciências Humanas) a assumir uma postura de garimpeiro. Isso porque as obras de cunho científico não aparecem como deveriam, mas mesmo assim arrastam os profissionais atrás de obras de consulta, o que prova que ainda vai demorar um pouco para que acostumemos com a versão digital e com o armazenamento de casos em DVDs e outras mídias.
MEDIAÇÃO
Além das divergências
Das diferenças entre as pessoas surgem os conflitos no cotidiano das famílias, das escolas, da vizinhança, do ambiente de trabalho. Podem resultar em brigas crônicas e em escalada da violência, por outro lado, podem ser terra fértil para criar boas opções. O conceito de "bom conflito" significa utilizar a divergência para gerar soluções satisfatórias para ambas as partes, melhorando a qualidade do relacionamento. O grande segredo da resolução de conflitos é a habilidade de enxergar além das divergências para encontrar as semelhanças e investir esforços para expandir essa área em comum. A autora afirma que todos são capazes de aprender a resolver conflitos de maneira inteligente e hábil.
O bom conflito
Por Maria Tereza Maldonado Integrare Editora 173 páginas R$ 31,90 |
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O BOM CONFLITO - JUNTOS BUSCAREMOS A SOLUÇÃO
O assunto que mais pareceu dominar as listas de lançamentos foi o de terapia familiar. Vários livros foram lançados nessa linha, mas o que mais chamou a atenção foi a obra O bom conflito - juntos buscaremos a solução (Integrare Editora), de Maria Tereza Maldonado, mestre em Psicologia pela PUC do Rio de Janeiro.
O trabalho da doutora, que já escreveu cerca de 25 livros enfocando relacionamento familiar e desenvolvimento pessoal, enfoca um tema que, de uma maneira ou de outra, faz parte do dia-a-dia de quase todo mundo: os conflitos gerados por meio de situações que geram desentendimentos. Para a maioria das pessoas, a palavra "conflito" traz péssimas impressões e remetem a idéias negativas como tumulto, desordem e confusão. Porém os casos relatados na obra enfocam desde questões como o controle da raiva (tema cada vez mais comum nos dias modernos) até a verdadeira natureza dos conflitos que experimentamos.
Em entrevista exclusiva para Psique & Ciência e Vida, a doutora falou um pouco sobre os conceitos que explorou no livro. O tópico principal da conversa foi mesmo uma mania que os brasileiros possuem e que parece crescer cada vez mais, que é o da eterna disputa nos vários ambientes diários. Diz ela:
"Em muitos países, inclusive no Brasil, cresce a procura pela chamada RAD (resolução alternativa de disputas) para evitar o desgaste do relacionamento, os altos custos e a lentidão do judiciário. Cresce também o número de escolas que procuram capacitar seus alunos como mediadores de conflitos entre colegas e também entre alunos e professores, estruturando os chamados 'pactos de convivência'. O uso desses instrumentos (negociação, conciliação, mediação e arbitragem) requer a aprendizagem de recursos de comunicação e o desenvolvimento de habilidades para solucionar problemas. Ao resolver os conflitos pela cooperação, as diferenças são reconhecidas, os problemas são redefinidos, as áreas comuns são exploradas e tudo isso prepara o terreno para a busca de soluções que satisfaçam as necessidades de todos".
De maneira bastante didática e acessível a psicóloga acrescenta que é preciso ter habilidade para separar as pessoas do problema. Em outras palavras, aprender a atacar o problema sem atacar as pessoas. Quando as pessoas gastam muita energia se atacando, a briga fica interminável e o problema que elas querem resolver fica sem solução. A escuta respeitosa é o principal recurso de comunicação porque nos permite ir mais fundo no "iceberg" do conflito. Considera-se que 50% da construção de acordos satisfatórios depende da escuta. A partir daí, é possível compreender, expressar sentimentos, ter empatia.
Em resumo, para se ir "além das aparências" num conflito, é necessário:
* Pesquisar os interesses subjacentes (necessidade de segurança, de reconhecimento, valores - não são negociáveis e, em geral, não são incompatíveis entre as partes);
* Focalizar nos interesses e não nas posições (o que as pessoas dizem que querem, e isso é negociável);
* Transformar adversários em aliados ("sócios do problema");
* Concentrar em criar alternativas (opções) e
* Construir o acordo. O livro reúne também opiniões de profissionais de diversas áreas e apresenta histórias e situações reais. Algumas, como as apresentadas a seguir, possuem a tendência de se repetir constantemente, por isso ela lança mão de pseudônimos para ocultar as identidades das pessoas:
* Tiago e Lucas vivem disputando o primeiro lugar: quem entra primeiro no elevador para apertar o botão, quem se apodera do controle remoto da televisão, quem faz mais pontos no videogame. Ofendem-se, batem um no outro, fazem ameaças aos berros, até que os pais perdem a paciência e os colocam de castigo.
* Para melhorar os casos de indisciplina e de condutas agressivas entre os alunos de sua turma, Márcia expôs o problema e ouviu o que os alunos tinham a dizer a respeito. Fizeram um "combinado" em que todos elaboraram as "leis da turma" e as conseqüências a serem aplicadas naqueles que não cumprissem o combinado.
* Padre Murilo, pároco da igreja de um bairro com muitos problemas de violência nas ruas, estava preocupado com o esvaziamento da igreja nos horários noturnos das missas. Disposto a não aceitar os velhos argumentos de jogar a culpa em terceiros, tomou a iniciativa de articular as lideranças da comunidade para aumentar a segurança da área. Em poucos anos, era nítida a redução da violência, com destaque para a eficácia da polícia comunitária, um dos pilares do projeto formulado pela parceria feita entre as várias entidades que se dispuseram a atacar o problema que incomodava a todos.
O livro mostra que conflitos são naturais e que se originam a partir de diferenças de informação. E também prova que, por mais que o homem goste de dizer que é um ser evoluído, mais se atém aos mesmos problemas que tinha há anos.
INCLUSÃO
Necessidade especial
O livro de maneira clara e objetiva, as mudanças mais comuns que acometem o dia-a-dia da pessoa cega, além das repercussões na sua vida e na de seus familiares, bem como sua relação com a sociedade em geral. A obra também mostra a ligação que existe entre os processos de percepção dos sentidos, da vida e a forma de lidar com essas perdas no cotidiano com as mudanças de ordem social, psicológica, econômica, tecnológica e de direitos. Na hora de enfrentar um desafio é preciso manter a confiança e a certeza de que tudo vai dar certo. O livro apresenta experiências de vida e depoimentos sobre o momento da perda de visão e como enfrentaram esse processo. Auxilia também amigos e familiares em um novo contexto de vida.
Perdi a visão, e agora?
Por Edson Luiz Defendi, Eliana Cunha Lima, Rita Helena Costa Lobo Fundação Dorina Nowill para Cegos, 47 páginas R$ 15,00 |
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