De frente para a morte O sentimento de perda despertado pelo processo de doença terminal evolui para cinco estágios cientificamente conhecidos. Estar a par dessas etapas é essencial principalmente para que a equipe de saúde possa ser eficaz nesse momento tão delicado
Por Kátia Regina Beal Rodrigues
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O interesse científico pela morte vem crescendo de tal maneira que vemos ressurgir com novo vigor o ramo da ciência voltado para esse assunto, a Tanatologia, campo de atenção de várias áreas, como Medicina, Biologia, Antropologia Social, Psicologia, Sociologia, Filosofia e Teologia.
A preocupação científica com a morte mostrou quão pouco ainda sabemos sobre essa última experiência empírica de todos nós. Mas o que acontece conosco no enfrentamento da morte?
O interesse científico pela morte vem crescendo de tal maneira que vemos ressurgir com novo vigor o ramo da ciência voltado para esse assunto, a Tanatologia, campo de atenção de várias áreas, como Medicina, Biologia, Antropologia Social, Psicologia, Sociologia, Filosofia e Teologia. A preocupação científica com a morte mostrou quão pouco ainda sabemos sobre essa última experiência empírica de todos nós. Mas o que acontece conosco no enfrentamento da morte?
A pesquisadora Elisabeth Kübler-Ross (1998) descobriu que, nesse processo, há cinco fases bem nítidas. A primeira delas está sendo chamada de negação e isolamento. Diante da informação da inevitabilidade de sua morte, a pessoa inicialmente não acredita naquilo que os médicos dizem. Quando, porém, não é mais possível negar o óbvio, entra numa segunda fase, da raiva, da ira e da inveja. “Por que eu? Existem mil razões para eu não morrer!” Pessoas que acreditam em Deus começam a culpá-lo. “Que Deus é este, que me deixa morrer, sabendo que a minha família ainda precisa de mim?”
Há de fato mil razões para não morrer, e, na segunda fase, essas razões estão sendo lembradas. Porém, diante da impossibilidade de impedir a morte, a pessoa se torna agressiva. Tal agressividade se volta contra si mesma, contra Deus e contra as pessoas em torno de si. A equipe hospitalar que trabalha com pacientes terminais conhece muito bem as explosões de raiva que podem acontecer nessa fase. As pesquisas da Tanatologia ajudam-nos a compreender tal comportamento e a tolerálo, porque sabemos que, na base de toda essa agressividade, há o profundo desespero daquele que se vê confrontado com o inevitável, que lhe inspira medo e do qual pretende fugir.
É aqui que se abre todo um campo de ação para a Psicologia Hospitalar, especialidade ainda em formação.
A terceira fase tem início com a capacidade de superação da raiva, que dá lugar à negociação. A pessoa tenta negociar um prazo maior. “Vou morrer, sim, mas não já, e sim no ano que vem”. Em geral, porém, essa negociação é infrutífera. Aí se segue a quarta etapa: a depressão. Chega um momento em que o paciente terminal deve despedir-se do mundo e, nessa ocasião, percebe amar sua vida muito mais do que havia pensado. A despedida torna-o triste, mas realizá-la é a condição para poder aceitar a morte. Somente após essa aceitação a pessoa se tranqüiliza. Nesse momento, então, passa a reunir condições para falar de seu morrer com serenidade e, muitas vezes, nessa fase, é o paciente quem consola sua família e não mais a família que o consola.
<< Pesquisas na área da tanatologia ajudam a equipe médica a compreender as explosões de raiva dos pacientes |
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Tanatologia >>
Trata-se de uma ci ência interdisciplinar que estuda a relação do homem com a própria morte e com a morte do outro, com corpo teórico destinado à compreensão do comportamento humano em relação às perdas, luto e separação. O objeto de estudo da Tanatologia é a morte como fenômeno e seu impacto na subjetividade humana.
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