E a matemática nunca mais será a mesma Apoio psicanalítico à disciplina pode formar cidadãos capazes de não só resolver equações, mas recriar o mundo e o senso crítico
Por Carlos Alberto de Souza Cabello e Mariangela H. Siniscalchi
Carlos Alberto de Souza Cabello é mestrando em Educação Matemática pela UNIBAN-SP, psicopedagogo (UNIBAN-SP) e especialista em Sistemas de Informação. Atualmente é professor da UniRadial e da Uniban.
Mariangela Hantschick Siniscalchi é graduada em Tradução e Intérprete (UNIBERO) com larga experiência com Ensino Fundamental e Médio e realiza acompanhamento multidisciplinar.
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A matemática parece ser um problema literal para alguns alunos do ensino f undamental. Além das expectativas da idade, é carregada de reflexos do ambiente familiar e trajetória na educação infantil. Uma das grandes contribuições pode vir da Psicanálise, na tentativa de reverter esse estado de tensão reinante no ambiente escolar.
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Se não fossem os traumas da infância, muitos dos alunos seriam excelentes profissionais da área de exatas |
"A PREOCUPAÇÃO DE PIAGET ERA COMO ENSINAR A MATEMÁTICA E COMO ASSOCIAR ESSE CONHECIMENTO À PRÁTICA" |
É comum ouvirmos “matemática não é para mim”, “é muito difícil” ou “não vou precisar disso na minha profissão” e a percepção do nervosismo que impera no momento da prova com seus “brancos” a ponto de sonhar com a prova do dia seguinte. A concepção de consciência, baseada em diversas pesquisas, é semelhante à atenção, ou seja, estamos conscientes daquilo que ocupamos e inconscientes daquilo que não nos ocupamos. Em outras palavras, evitamos coisas supostamente dolorosas, perturbadoras e indesejáveis.
Para Freud, os professores exercem o papel de pais substitutos, são respeitados na primeira infância e desidealizados na adolescência, fatos que podem ser considerados ordens de um inconsciente reprimido. Com muita freqüência vemos o aluno feito um astronauta, sempre no mundo da lua, viajando, e talvez a explicação seja seu inconsciente que determina o não interesse em aprender a disciplina. Frases ouvidas na infância como “é uma matéria muito difícil”, “só alguns iluminados conseguem sucesso” talvez tenham se fixado em nosso inconsciente e, nessa fase de estudos, os mecanismos de defesa (repressão, projeção, racionalização, clivagem, defesas maníacas e outras) se manifestem diante do possível fracasso.
Apesar de a Psicanálise ter várias ramificações em muitas direções e teorias, todos os analistas fazem uso de aspectos da compreensão do inconsciente de Freud (A interpretação dos sonhos – Imago, 1999). Para ele, os sonhos representam a realização disfarçada de um desejo, exatamente aquilo que os sintomas neuróticos podem fazer. Uma tentativa de lidar com áreas da vida emocional que perturbam e envolvem conflitos e são em parte inconscientes durante as horas de vigília. Na prática pedagógica, observamos que, não fossem esses traumas trazidos da infância ou até mesmo da educação infantil, muitos dos alunos seriam excelentes profissionais da área de exatas.
É como se a dificuldade não estivesse no fazer, mas no pensar. Quando pequenos, os pais acostumam mal com as facilidades de comunicação e do querer. Quando adultos, é o excesso de informação. A psicanalista Melaine Klein afirma que a identificação projetiva é uma fantasia inconsciente que, diferente do conceito de projeção, implica em livrar-se de partes funcionais do ego, como a capacidade de pensar (Obras completas I, II, III – Imago, 1996). Para Freud, “a humanidade, nos seus momentos de crises existenciais, parece saber o que faz, mas não sabe nem porquê nem para quê”.
Piaget enfatizava a preocupação sobre como ensinar a Matemática e que essa preocupação não tem sentido dissociada de como se dá esse aprendizado, como se pensa matematicamente ou como são construídos os conhecimentos a respeito dessa área do conhecimento. As necessidades cotidianas fazem com que os alunos desenvolvam capacidades de natureza prática para lidar com a disciplina, mas muitos não conseguem associar a aplicabilidade do conceito aprendido na resolução do problema em questão.
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Programa de avaliação
Na avaliação, de 2003, do Programa Internacional de Avaliação de Alunos – PISA, o Brasil mostrou alguns avanços. Cresceu em duas áreas avaliadas – Espaço e Forma e Mudança e Relação – e melhorou em Ciências. Foram 229 escolas, 4 mil e 452 alunos, ao todo pelo País, distribuídas em zonas urbana e rural, das redes pública e privada. |
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