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Psicoterapia
É Preciso ter FÉ
Resultado terapêutico é melhor quando são levados em conta a crença e os valores espirituais do cliente

Em busca da integração

O psiquiatra Michael Miovic e seus colegas da Universidade de Boston investigaram os principais domínios discutidos em Psicoterapia de indivíduos americanos e constataram que a religião e a espiritualidade estão entre temas de igual importância como trabalho, família e sexualidade. Os autores também investigaram como os psicólogos clínicos compreendem e abordam a espiritualidade durante a Psicoterapia. Os psicólogos estudados consideraram a espiritualidade um tema potencialmente provedor do encontro de equilíbrio e harmonia dos clientes. Apesar de os clientes observarem os terapeutas abertos para discussão do domínio espiritualidade, nem todas as abordagens encontraram um ajuste do tema em suas intervenções terapêuticas.

Crenças da população mundial

A diversidade de conceitos acerca da espiritualidade foi observada como um aspecto crucial da dificuldade para abordar esse domínio na Psicoterapia. O estudo enfatizou a importância de tornar tais conceitos mais coerentes e acessíveis, facilitando o diálogo profissional no contexto terapêutico. Portanto, é adotada aqui a definição do médico americano Harold Koenig, que considera a espiritualidade como uma busca pessoal de respostas sobre o significado da vida e o relacionamento com o sagrado e/ou transcendente.

Ainda que a espiritualidade e a religiosidade sejam importantes e, às vezes, fundamentais à vida humana, a dificuldade de integrar esse tema à Psicoterapia reside em alguns fatores, tais como: a orientação tradicional de escolas psicoterápicas de que a espiritualidade está fora da esfera da investigação e de conhecimento, a ausência de programas de supervisão e treinamento e o desconforto com os temas espirituais e religiosos por parte dos educadores e profissionais. Mesmo assim, corajosas iniciativas buscam a integração da espiritualidade-religiosidade na Psicoterapia. Por exemplo, a abordagem cognitivocomportamental padrão e a cognitivo-comportamental religiosa foram aplicadas a indivíduos com depressão por terapeutas religiosos e não-religiosos e comparados com grupo controle em lista de espera.

Esse estudo realizado pela psicóloga americana Rebecca Propst, em 1992, e seus colegas mostrou que a inserção de elementos espirituais-religiosos na psicoterapia pode ser eficiente, mesmo quando o processo é conduzido por terapeutas não religiosos. Uma metanálise, envolvendo outros estudos, comparou a eficácia de abordagens de aconselhamento-padrão e abordagens de aconselhamento adaptadas à religiosidade e não encontrou superioridade de uma abordagem em relação à outra.

Os achados sugerem que a possibilidade de usar uma abordagem religiosa é provavelmente mais uma questão da preferência do cliente que uma questão de eficácia diferencial. O tratamento com orientação religiosa em grupos étnicos, com fortes características religiosas, comparada à psicoterapia sem orientação religiosa, mostra uma melhora mais rápida, de três meses. Porém as opções de psicoterapias que integram crenças e valores culturais ainda são restritas.

O psiquiatra Vijoy Varma, especializado em estudos sobre cultura, enfatiza que as premissas nas quais a psicoterapia contemporânea se baseia - que não consideram a reencarnação - não atendem e tampouco são funcionais à maioria da população da Índia, que acredita na reencarnação.

As iniciativas de integração continuam: a terapia cognitivo-comportamental adaptada para abordar a espiritualidade (spiritually augmented cognitive behavioural therapy) mostrou que o uso da meditação promove benefícios significativos no tratamento da desesperança e do desespero. Uma revisão dos artigos sobre a eficácia da terapia cognitivo-espiritual modificada (spiritually modified cognitive therapy) aponta, segundo critérios da Associação Psiquiátrica Americana, que essa modalidade tem validade empírica no tratamento da depressão.

Propostas de terapias de grupo e terapia familiar que inserem temas espirituais e religiosos também têm sido pesquisadas, assim como programas de intervenções psicoeducacionais semi-estruturados em que o paciente discute sobre recursos religiosos, espiritualidade, perdão e esperança. A maioria dos grupos considera que uma vida espiritual é relevante para a compreensão dos problemas pessoais e prefere um terapeuta que se sinta confortável em discutir esses tópicos. Em acordo com esses achados, linhas humanistas como a Psicoterapia Transpessoal integram com bons resultados a espiritualidade em suas práticas.

 

Ciência e religião

Nas últimas décadas, a tecnologia deu um grande salto, mas não tem respostas para questões da espiritualidade. Agnes de Deus, filme de 1985, conta a história da psiquiatra Martha Livingston (Jane Fonda) que precisa desvendar aspectos misteriosos dentro de um convento e a morte do bebê de uma das noviças.

 

 

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