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Psicoterapia
É Preciso ter FÉ
Resultado terapêutico é melhor quando são levados em conta a crença e os valores espirituais do cliente

Validação das Psicoterapias

As psicoterapias no Ocidente variam em relação às escolas filosóficas, às perspectivas epistemológicas e às teorias que utilizam como orientação de suas intervenções práticas. A publicação do artigo Some implicit common factors in diverse methods of psychotherapy, (Alguns fatores implícitos e comuns em diversos métodos de psicoterapia) por Rosenzweig em 1936, foi um marco da discussão sobre diferenças, similaridades e eficácia das psicoterapias. O achado geral de pouca ou nenhuma diferença entre as principais escolas da psicoterapia em termos de efetividade foi apontado.

Atualmente, as áreas de concordância entre as abordagens psicoterápicas continuam mais expressivas do que as diferenças, sobressaindo em especial quatro aspectos: a similaridade dos objetivos; a relação terapeuta-cliente tem papel central nos processos; o cliente responsabiliza-se pelas escolhas; e a promoção da compreensão do "eu" pelo cliente.

A Proposta original da psicologia foi e é estudar e compreender o espírito, isto é, a respiração, o sopro

O exame de 17 metanálises de estudos comparativos de diversas modalidades de psicoterapias encontrou diferenças não significativas de resultados. Os autores discutem que os tipos de assistência que os terapeutas provêem consistem de processos humanos de autocura que ocorrem naturalmente, talvez de uma forma mais refinada e sistemática. Portanto, a psicoterapia deve voltar-se para os clientes e respectivos sistemas de crenças, no sentido de potencializar suas capacidades, uma vez que a terapia funciona até onde estes aceitam participar. Além disso, é fundamental que a psicoterapia trabalhe para desenvolver modelos colaborativos, baseados na relação, que enfatizem a mobilização da esperança e do otimismo, o envolvimento ativo do cliente e a ajuda para que este mobilize suas capacidades intrínsecas para encontrar soluções.

Ética: o melhor para indivíduo e sociedade

O psicólogo deve discutir temas espirituais com seus clientes? Quais são os limites entre o psicólogo e o cliente que consideram temas espirituais e religiosos? Essas são algumas das perguntas que norteiam discussões éticas recentes sobre o tema. A inclusão da categoria "problemas religiosos ou espirituais" como uma categoria diagnóstica inserida no DSM-IV reconhece que os temas espirituais-religiosos podem ser o foco da consulta e do tratamento psiquiátrico-psicológico.

O médico John Ehman da Universidade Pensilvânia, após constatar a expectativa de indivíduos com enfermidades, recomenda que os profissionais perguntem rotineiramente sobre a espiritualidade e a religião ao conduzirem a história (anamnese) de seus pacientes. Na Psicologia, integrar dimensões espirituais e religiosas dos clientes durante a psicoterapia requer profissionalismo ético, alta qualidade de conhecimento e habilidades para alinhar as informações coletadas sobre as crenças e valores ao benefício do processo terapêutico.

Alguns achados empíricos mostram que os clientes adotam (são convertidos) os valores dos psicoterapeutas (especialmente valores morais, religiosos e políticos), revelando sérios problemas éticos, tais como: redução da liberdade do cliente, violação do contrato terapêutico, falta de competência e perda da neutralidade do terapeuta.

Na Psicologia, integrar dimensões espirituais e religiosas dos clientes requer profissionalismo ético

A Associação Psiquiátrica Americana produziu um guia que incita os terapeutas a compreender e manter respeito empático para abordar as crenças religiosas dos pacientes, reforçando que o treinamento adequado do terapeuta, a compatibilidade terapeuta-cliente, a atenção à pessoa e não apenas à doença, e a busca da compreensão empática podem reduzir a ocorrência da conversão de valores e minimizar os problemas éticos associados.

A Associação recomenda: identificar se variáveis espirituais e religiosas são características clínicas relevantes às queixas e aos sintomas apresentados; pesquisar o papel da espiritualidade e da religião no sistema de crenças; identificar se idealizações religiosas e representações de Deus são relevantes e abordar clinicamente essa idealização; demonstrar o uso de recursos espirituais e religiosos no tratamento psicológico; utilizar procedimento de entrevista para acessar o histórico e envolvimento com espiritualidade e religião; treinar intervenções apropriadas a assuntos espirituais e religiosos e atualizar a respeito da ética sobre esses temas na prática clínica.

Em acordo com essas recomendações, o médico psicanalista James Lomax mostrou que a integração da psicoterapia não-religiosa com a espiritualidade é possível e confere bons resultados. Destacou algumas observações éticas pertinentes: a habilidade de inquirir sobre a vida espiritual e religiosa dos clientes é um elemento importante da competência psicoterapêutica; a informação sobre as vidas espiritual e religiosa dos clientes revela quase sempre dados extremamente importantes para superação de suas dificuldades; o processo do inquérito sobre esse domínio deve ser respeitoso; e há um potencial significativo para faltas éticas quando o terapeuta exagera suas convicções pessoais.

Resumindo, os psicoterapeutas devem estar confortáveis com clientes que levantam questões existenciais e espirituais. Examinar as crenças espirituais e religiosas pode ser útil no processo psicoterápico. É uma necessidade terapêutica e um dever ético respeitar essas opiniões, devendo haver empatia, assim como continência em relação à realidade que o cliente traz, ainda que os terapeutas não compartilhem das mesmas crenças.

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