Psicoterapia É Preciso ter FÉ Resultado terapêutico é melhor quando são levados em conta a crença e os valores espirituais do cliente
A mais recente geração dos estudos sobre eficácia da psicoterapia foi influenciada por políticas de financiamento dirigidas pelo National Institute of Mental Health, quando o modelo médico, consolidado nos estudos farmacológicos, passa a ser prescrito na avaliação das psicoterapias. As novidades metodológicas incluíram: a) seleção de pacientes que se adaptem estritamente a um diagnóstico conforme o DSM-IV (American Psychiatric Association, 1994); b) distribuição randômica dos participantes entre os grupos; c) refinamento das diretrizes para intervenção (manuais detalhados); d) treinamento dos terapeutas para seguimento dos manuais; e) criação de mecanismos de verificação de resultados relativos aos sintomas e da correspondência entre o desempenho de terapeutas e os manuais prescritos.
Assim, as psicoterapias baseadas em evidência, requerem padronização em manual e eficácia encontrada em pelo menos dois estudos clínicos randomizados com amostras significativas de pacientes bem caracterizados e grupos controles criteriosamente escolhidos lista de espera, placebo, medicamento, outras intervenções já estabelecidas.
A psicoterapia deve voltar-se para os clientes e respectivos sistemas de crenças, no sentido de potencializar suas capacidades
Apesar de algumas abordagens endereçadas a transtornos específicos terem validação empírica, poucas psicoterapias baseadas em evidências são ensinadas em programas de Psicologia e Psiquiatria. Ainda que a considerável distância entre os estudos controlados e as práticas clínicas atuais prevaleça, enfatizamos que as propostas psicoterápicas na área da espiritualidade-religiosidade, assim como em outras áreas, sejam padronizadas e testadas em ensaios clínicos. O investimento nesse sentido está alinhado ao atendimento ético dos indivíduos que buscam psicoterapia.
Limitados métodos científicos reforçaram a distância entre psicologia e o estudo do não-palpável
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William James e Frederic Myers consideram que o cérebro trabalha como um filtro para manifestações da mente na vida diária |
Mundos Individuais
A Neurociência tem revelado que o mundo percebido pelo indivíduo não é uma reflexão exata do mundo físico, e aspectos e características essenciais do mundo percebido não estão, de fato, presentes no mundo físico. Estudos realizados sobre percepção visual revelam como é realmente pequeno o nível de informações que o cérebro assimila enquanto observamos o mundo, em relação à abundância de informações projetadas por nós. Os eventos que experimentamos diariamente são em grande parte resultantes probabilísticas de nossos processamentos computacionais e os novos aprendizados são integrados a uma "base" de conhecimento preexistente.
As discussões desses achados apontam que a riqueza da experiência individual é imensamente subjetiva. Isto é, a percepção de mundo está sujeita às crenças do indivíduo e a seu histórico de vida, afetando a sensibilidade para os critérios de escolha (voluntários ou não voluntários) e o limiar de observação. Além disso, experiências subjetivas alteram o arranjo sináptico na rede neural e os perceptos constituídos por experiências objetivas e subjetivas podem determinar o estímulo ao qual o indivíduo vai reagir.
Outros achados da Neurociência sugerem que o imaginário tenha um valor neurofisiológico parecido com o que desempenhamos em comportamentos objetivos. Por exemplo, a condição imaginária de audição e visualização obedeceu a reciprocidades neurais similares à condição real de ouvir e visualizar os mesmos eventos. Técnicas de visualização ativa têm sido empregadas em psicoterapias com resultados satisfatórios, ainda que o tratamento não seja eficiente para todos os pacientes. Um bom exemplo formulado e testado por Ana Catarina Elias - Relaxamento, Imagens Mentais e Espiritualidade (RIME) - integrou elementos simbólicos espirituais para orientação da visualização de imagens mentais e atenuou o sofrimento psicológico de pacientes terminais.
Espírito e Espiritualidade
Espírito, tal como o professor e diplomata Antônio Houaiss define, pode ser considerado como parte imaterial ou imortal do ser humano, substância incorpórea e inteligente.Por ora, os aspectos sociológicos e o impacto das crenças espirituais na saúde têm sido o foco de grande parte dos estudos. Outras linhas de pesquisa procuram responder com rigor científico à pergunta "há uma parte imortal do ser humano que persiste?" e sugerem indícios da continuidade da vida após a morte.
Eduard Kelly e seus colegas da Universidade de Virgínia discutem no livro Irreducible mind ("Mente irredutível") que a Psicologia necessita ampliar seus horizontes científicos se quiser contribuir verdadeiramente com a compreensão da mente e seu relacionamento com o corpo. Apresentam e discutem as implicações de uma larga escala de fenômenos psicológicos importantes, mas negligenciados, que incluem as experiências de quase morte, experiências fora do corpo, mediunidade, estados de transes e possessão, aparições espirituais, visões lúcidas no leito de morte e casos sugestivos de reencarnação.
Grupos de pesquisa
Conheça alguns dos grupos e das universidades que desenvolvem pesquisas na área psicoterapiareligiosidade: Laboratório sobre Saúde, Espiritualidade e Religiosidade (LASER) da UNICAMP, Liga Acadêmica de Saúde e Espiritualidade (LIASE) da Universidade Federal de Goiás; Núcleo de Espiritualidade e Saúde (NUPES) da Universidade Federal de Juiz de Fora; Núcleo de Estudos da Religião (NER) da Universidade de Brasília; Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos (NEPER) do Instituto de Psiquiatria da FMUSP e Núcleo Interdisciplinar de Estudos Transdisciplinares sobre Espiritualidade (NIETE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
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