CLÍNICA Por uma postura exemplar Programas de TV, internet, interdisciplinaridade e modernidade não mudam em nada a ética do psicólogo, esteja ele onde estiver. Conheça algumas das questões mais polêmicas da atualidade
Eduardo J. S. Honorato
Em tempos de tragédias valorizadas por vários programas de TV, crimes hediondos mostrados em novelas, algumas questões éticas, relativas à postura do profIssional psi, têm sido levantadas em salas de debates virtuais. É importante saber mais sobre o Código de Ética que rege a profIssão e debater, com base em situações práticas, para melhorar cada vez mais a atuação, prezando sempre pelo juramento e trabalho pautado na ética. Quando o discurso bonito passa para a prática profIssional, fIca a dúvida se todos os profIssionais tiveram o mesmo entendimento de um texto "jurídico". Todos os profIssionais têm a mesma leitura e colocam em prática ações iguais? Por que não recorrer ao conhecimento de advogados, de juristas para ter a certeza de que a classe está no caminho de uma padronização correta?
Para abordar o assunto, dez situações hipotéticas são colocadas para que a ética seja discutida e esclarecida de uma maneira mais objetiva e clara. Algumas são comuns e outras nem tanto, mas todas geram dúvidas entre alunos e profIssionais. Para o leigo, é importante acompanhar minuciosamente este debate para não se sentir enganado e entender mais um pouco sobre os princípios básicos que norteiam a profIssão do psicólogo.
ANÁLISE EM PROGRAMA DE TV
O psicólogo aparece na televisão falando sobre o criminoso da atualidade e sobre casos de violência e relações familiares. É permitido a este profIssional analisar o perfIl deste ou daquele caso? Pode dar conselhos em programas de qualquer mídia? Segundo o Código de Ética que rege a profIssão: Art. 2º - Ao psicólogo é vedado: q) Realizar diagnósticos, divulgar procedimentos ou apresentar resultados de serviços psicológicos em meios de comunicação, de forma a expor pessoas, grupos ou organizações.
Art. 19 - O psicólogo, ao participar de atividade em veículos de comunicação, zelará para que as informações prestadas disseminem o conhecimento a respeito das atribuições, da base científIca e do papel social da profIssão. Art. 20 - O psicólogo, ao promover publicamente seus serviços, por quaisquer meios, individual ou coletivamente: a) Informará o seu nome completo, o CRP e seu número de registro; b) Fará referência apenas a títulos ou qualifIcações profIssionais que possua; c) Divulgará somente qualifIcações, atividades e recursos relativos a técnicas e práticas que estejam reconhecidas ou regulamentadas pela profIssão; d) Não utilizará o preço do serviço como forma de propaganda; e) Não fará previsão taxativa de resultados; f ) Não fará autopromoção em detrimento de outros profIssionais; g) Não proporá atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias profIssionais; h) Não fará divulgação sensacionalista das atividades profIssionais.
"NÃO É PERMITIDO COMENTÁRIOS SOBRE A PERSONALIDADE DE ALGUÉM BASEADO EM VÍDEOS OU BREVES RELATOS. ISSO NÃO É"
Com base nesses primeiros fragmentos do Código de Ética, um caso hipotético, mas prático e atualíssimo. Na televisão, depois de vários vídeos apresentados pelo apresentador, o profIs-sional dá o diagnóstico da pessoa em questão. "É portador de distúrbio bipolar pelo seu quadro de constante instabilidade emocional." Esse tipo de diagnóstico é completamente errado, porque a pessoa em questão não é paciente do psicólogo e não há informações sufi- cientes para analisar o caso. E, mesmo que fosse paciente deste profIssional, não poderia expô-lo dessa maneira. Não é permitido comentários sobre a personalidade de alguém baseado em vídeos ou breves relatos. Isso não é Psicologia.
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Falar na tevê, sobre casos de violência e relações familiares, não está autorizado pelo Código de Ética |
Outra situação bem comum é a apresentação do profIssional como doutor. Não se intitule doutor ou permita ser chamado como tal. Doutor é quem tem titulação de doutorado e isto está explícito no código de ética (Art. 20 - b). Se você é terapeuta, analista, psicanalista, psicopedagogo, neuropsicólogo ou especialista em qualquer área, é obrigatório informar a formação original e o número de registro no conselho, o CRP. É isto que dá legalidade e respeito ao profIssional e valoriza a veracidade do trabalho. Quanto mais correta for a postura, menos oportunistas agirão na sociedade em nome da Psicologia.
Ao psicólogo não é permitido se apresentar se utilizando de recursos alternativos como florais, energizações, pêndulos ou crenças pessoais, de nada do que não seja instrumento da Psicologia, autorizado e reconhecido pelo Conselho Federal de Psicologia. É permitido ao profIssional que ele tenha suas próprias crenças, mas elas são suas, pessoais e intransferíveis, e não da profIssão.O psicólogo é um representante da classe. Só é permitida a utilização e a divulgação de instrumentos autorizados pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP).
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