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COMPORTAMENTO
Meu filho com doping
Apesar das inúmeras comprovações de que o uso de anabolizantes prejudica a saúde, pesquisas atuais chamam a atenção para os filhos dos atletas usuários desse tipo de droga. As conseqüências podem ser devastadoras

Por Agência Notisa de Jornalismo Científico

Imagens: Shutterstock

Embora não seja exatamente uma novidade, as conseqüências físicas e psicológicas do doping para o atleta envolvido com freqüência são relevadas a um segundo plano em relação à faceta mais divulgada na mídia e entre os pares: a exclusão do profissional identificado em exames das competições e a execração pública da trapaça para com o espírito esportivo. No entanto, este lado da moeda acaba por obscurecer outro: o das tristes histórias daqueles que fizeram uso prolongado de substâncias proibidas em busca do tão sonhado lugar mais alto do pódio.

Pouco se fala, mas as conseqüências do uso de substâncias proibidas podem ser devastadoras tanto para o atleta (homem ou mulher) quanto para sua prole. Os riscos aumentam quanto mais cedo o doping tem início (por exemplo, ainda criança). Segundo Giselher Spitzer, pesquisador alemão da Humboldt University of Berlin e autor de um estudo sobre o assunto, as atletas de elite dopadas e que tentam engravidar apresentam risco elevado de morte prematura do feto durante a gestação ou de darem à luz um natimorto (recém-nascido morto). Os resultados da pesquisa são assustadores: após analisar 52 ex-atletas de elite dopados da antiga Alemanha Oriental, Spitzer identificou um risco 32 vezes maior de morte prematura para os fetos das mulheres neste grupo.

De acordo com dados do estudo conduzido pelo pesquisador, "o risco de o feto nascer sem vida (natimorto) pode ser dez vezes mais alto que o da população em geral". Os dados foram apresentados em primeira mão durante o 30º Congresso Mundial de Medicina do Esporte, realizado em Barcelona (Espanha), no final de 2008. Para o pesquisador, os riscos demonstrados na pesquisa são "absurdamente altos", o que leva a crer que os achados não podem ser apenas uma coincidência. Segundo ele, "[os resultados] só podem estar relacionados ao doping". Spitzer chamou a atenção, ainda, para o fato de que "os atletas dopados têm chances muito maiores de terem filhos com alguma deficiência".

Filhos também sofrem

A maior parte dos 69 filhos vivos dos 52 atletas dopados, participantes da pesquisa, apresentava danos em suas capacidades mentais e em suas saúdes física e social. Os dados exibidos pelo pesquisador mostram que estas crianças apresentaram um risco pelo menos duas vezes maior para uma série de doenças (veja tabela abaixo).

Além disso, esta tendência parece ser ainda mais visível no caso dos filhos cujas mães, e não os pais, fizeram uso de doping: 54% (37) dos filhos das mulheres que participaram da pesquisa apresentavam ao menos dois quadros - 17 deles com múltiplos danos, sobretudo alergias, neurodermite, doença metabólica e alguma deficiência mental.

Risco de doenças

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