PSICOTERAPIA A psicologia no ciberespaço Atendimentos psicológicos mediados por computador trazem novas perspectivas e desafios à prática psicoterapêutica
Por Adriana Zottis
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Adriana Zottis é jornalista e estuda Psicanálise.
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Uma nova ordem de profundas transformações psicossociológicas está em curso. Frente às implicações da tecnologia da informação na sociedade e na subjetividade humana - apocalípticas por um lado e entusiásticas por outro -, prevalece uma certeza: depois de mergulhar no universo digital, o homem jamais será o mesmo. Cabe uma pergunta: quem é este homem que tem se moldado a partir da internet? Como serão estabelecidas as relações humanas neste caldo informacional? Em que medida altera-se o comportamento e o pensamento do homem diante dos meios digitais?
Se por um lado a máquina é encarada como uma barreira à proximidade das relações, por outro ela pode ser entendida como mais uma ponte a aproximar pessoas, onde o espaço do conhecimento configura-se também como o espaço para uma nova forma de convivência. Como diz o sociólogo e jornalista Ciro Marcondes Filho, em seu artigo Haverá vida após a inter- net?, "... como sintetizador da sociedade real, espaço eletrônico de imersão no mundo, ela viabiliza - pela primeira vez na his- tória da civilização - a supressão do mundo real-material".
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Tanto a vida virtual quanto a presencial são reais para o sujeito, uma vez que ambas têm grande repercussão na afetividade |
As especificidades deste espaço virtual estariam sendo as- similadas ao longo da última década pelos internautas que são, ao mesmo tempo, criadores e criaturas de um ambiente que se abre para interações em um nível de sintonia até então insuspeito. Nos últimos dez anos, a humanidade engatinha pelo inacreditável pavimento de silício. Em breve, o corpo estará erguido e transitando por esta estrada que se expande em todas as direções. A trajetória da tecnologia anda de mãos dadas com a evolução humana. Muda a realidade, mudam as mentes e as habilidades que permitem lidar com ela. Como já sinalizava o teórico de comunicação, Marshall McLuhan, há três décadas, "toda tecnologia gradualmente cria um ambiente humano totalmente novo".
De fato, os fenômenos digitais têm provocado profundos impactos no comportamento e na subjetividade do homem contemporâneo. O paradigma virtual cria novas realidades econômicas, humanas e sociais, afeta as relações de trabalho, os hábitos de consumo e reinventa os relacionamentos sociais e pessoais, que ganham inusitadas dimensões e possibilidades. As transformações provocadas pela revolução tecnológica perpassam diversas áreas do conhecimento, entre elas, a Psicologia, que nos últimos anos tem se dedicado a uma prática ainda polêmica: os atendimentos psicológicos mediados por computador.
Com a intensificação do uso da internet, os meios digitais passaram a servir como ferramenta para o diálogo e a comunicação na esfera da psicoterapia. Ao reproduzir a estrutura da mente humana, que funciona por meio de conexões em redes, a internet substitui os modelos lineares de comunicação herdados da sociedade industrial. A Era da Informação traz consigo um revolucionário ambiente que permeia todos os domínios da vida, em especial as relações humanas.
O escritor e cientista, Michael Dertouzos, em seu livro O que será - como o novo mundo da informação transformará nossas vidas, define a essência da força gigantesca que multiplica por milhões a possibilidade de alcance eletrônico como "proximidade eletrônica". Essa proximidade, segundo Dertouzos, alterará o modo como as pessoas interagem umas com as outras, a estrutura de classes da sociedade, os aspectos tribais da cultura, a cooperação internacional, a interferência dos governos e até o papel das nações.
Depois De mergulhar no mundo digital, o homem não é mais o mesmo. Que homem é esse moldado pela internet?
Ainda que aparentemente em campos distintos, a aproximação entre a informática e a Psicologia remonta ao início dos estudos que conceberam os primeiros computadores. De acordo com Philippe Breton, pesquisador da história da informática, os cientistas desejavam construir máquinas que reproduzissem os processos lógico-formais do pensamento humano a partir de dados que lhes eram fornecidos por psicólogos cognitivos e outros especialistas.
A união da Psicologia clínica com as tecnologias digitais resultou na Psicoterapia on-line, introduzida pelos americanos nos anos 1980. A partir daí, tornou-se alvo de interesse de profissionais de vários países. No Brasil, esta inusitada modalidade da Psicologia clínica começou a ganhar adeptos em meados da década de 1990, quando já era encontrado um considerável número de psicoterapeutas e sites que ofereciam serviços psicológicos via web.
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