editora Escala
Editora Escala
  Loja Escala | Faça sua Assinatura | Anuncie | SAC | 55 11 3855-1000    
 
Filosofia  
 
 
 
 
Envie para um amigo Imprimir

 

atualidade
Diferentes, Porém Humanos
A reforma antimanicomial caminha a passos tímidos no Brasil, e a luta dos profissionais é fazer que os doentes mentais tenham lugar à sociedade

Por Liliana Lavoratti

Liliana Lavoratti é jornalista e escreve para esta publicação.

Há mais de 20 anos o Brasil começou a reestruturar o modelo de assistência aos doentes mentais.
Durante 12 desses 20 anos, o Congresso Nacional discutiu a legislação da reforma psiquiátrica - "Lei Paulo Delgado" (número 10.216, de 6 de abril de 2001).

Mas hoje, oito anos depois da adoção do novo modelo, a polêmica que sempre rondou o tema está longe de acabar. Impulsionada no final do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e aprofundada no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a transformação do sistema anterior - baseado no confinamento dos pacientes em hospitais e manicômios e no que o Movimento da Luta Antimanicomial chama de "indústria da loucura" - para uma assistência comunitária e integral, não tem consenso entre os vários setores envolvidos.

A ponto de levar os críticos das mudanças a defender o discurso da "reforma da reforma psiquiátrica".
Todos os lados têm argumentos de sobra. Para o Ministério da Saúde, alguns números mostram o sucesso da mudança que tem como objetivo final resgatar a cidadania e a identidade dos portadores de transtornos mentais, excluídos da sociedade e destituídos de seus direitos fundamentais.

Foram fechados 80% dos leitos psiquiátricos (passaram de 120 mil em 1989 para 36.979 em outubro de 2008).
A rede comunitária de atenção em saúde mental é composta por 1.291 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e 502 Serviços Residenciais Terapêuticos, além de Ambulatórios de Saúde Mental, Centros de Convivência e Cultura.

A política de saúde mental contempla ainda a ampliação das equipes do Programa Saúde da Família com profissionais capacitados para cuidar desses distúrbios e o Programa de Volta para Casa já beneficia 3.158 pessoas.
Tudo isso, conforme dados oficiais, fez a cobertura em saúde mental crescer nos últimos anos. Em 2002, os serviços dos CAPS abrangiam 21% da população brasileira, parcela que subiu para 53% ano passado.

Outro ponto positivo ressaltado pelo governo é a opinião de especialistas internacionais no assunto, para quem, mesmo com todas as difi- culdades e falhas na implantação de uma rede substitutiva de serviços, o Brasil caminha para se tornar uma referência na área de saúde mental, assim como foi com a aids.
É o que pensam o indiano Vikram Patel, professor de psiquiatria da Universidade de Londres, e o consultor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Luiz Codina, que expressaram sua avaliação ao passar pelo Brasil no final de 2008. Segundo eles, o País encontra-se "em outro patamar de desenvolvimento quando comparado às demais nações do continente"

Também não faltam raciocínios para os críticos da reforma - psiquiatras, que se dizem excluídos do processo; empresários da área hospitalar, atingidos pela redução das verbas públicas destinadas a esse segmento do setor, e um grupo de parlamentares que está sendo porta-voz dessas idéias junto ao Congresso Nacional e buscando apoio para um movimento de alterações na "Lei Paulo Delgado".

Segundo o deputado federal de oposição e ex-secretário de Saúde do Rio Grande do Sul, Germano Bonow (DEM-RS), "o Ministério da Saúde está fechando os olhos para um problema grave no País. O SUS não tem capacidade para internar todos os pacientes que procuram vagas, os CAPS também não e quem não pode pagar um hospital privado fica vagando nas ruas", ressalta o parlamentar. "A única alternativa das famílias é recorrer à assistência filantrópica."

Cobertura de CAPS - ordem decrescente

A "omissão do Estado", somada à crescente demanda hospitalar decorrente da ampliação do uso de álcool e outras drogas, fez surgir 42 fazendas vinculadas a várias igrejas para tratamento de dependentes, "sem nenhuma orientação do poder público e muito menos técnica", alerta o parlamentar.

Outra distorção, aponta, é a disparidade na distribuição dos leitos psiquiátricos - Niterói (RJ), com 600 mil habitantes, tem 320 vagas, enquanto o Pará, com 6 milhões de habitantes, conta com apenas 60 vagas.
E o Paraná sozinho possui o mesmo número de leitos que a soma do Rio Grande do Sul, Bahia, Acre, Amazonas, Amapá, Roraima e Rondônia. Para reforçar esses argumentos, o movimento "pró-reforma da reforma" distribui cópias do filme Omissão de socorro - pacientes psiquiátricos tomam a palavra, de Olívio Tavares de Araújo.
Familiares contam o drama que é cuidar em casa de pacientes com transtornos graves, pois não teriam encontrado vagas para internação.

PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | Próxima >>

 

 

 

Assinaturas
 
Assine as publicações do núcleo Ciência & Vida.
Matérias, novidades acadêmicas, reportagens e muito mais.
Filosofia História historia Psique
 
Edição nº 45
SUMÁRIO DA EDIÇÃO
MATÉRIA DE CAPA
REPORTAGENS
CONSULTÓRIO
EDIÇÕES ANTERIORES
EXPEDIENTE
FILOSOFIA
LEITURAS DA HISTÓRIA
PSIQUE
SOCIOLOGIA
AGENDA
ARTIGOS
 
Busca
Buscar
 
 
Newsletter
Cadastre-se e fique atualizado diariamente com nosso conteúdo.
  OK
 
 
Institucional
Publicidade
Adicionar Favorito
Links Úteis
 
 
Legenda
O acesso ao conteúdo do portal Ciência&Vida é identificado por cards.
Assinante
Cadastrado


 
Editora Escala
  Loja Escala | Faça sua Assinatura | Anuncie | SAC | 55 11 3855-1000