DOSSIÊ Morte voluntária Analisar as causas do suicídio e achar formas de prevenção é um enigma, mas possível, segundo especialistas
Por Lílian Cardoso
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A família e os amigos têm de estar atentos aos sinais de comportamento suicida. Muitas vezes o indivíduo dá pistas de que irá se matar |
Mitos sobre suicídio
Durante três anos de pesquisa, a autora identificou alguns mitos que norteiam o tema e, nas entrevistas, procurou esclarecimento para cada um deles. Em capítulo específico, Paula listou as dez principais inverdades e analisou uma a uma baseada em considerações de especialistas. "Quem vive ameaçando se suicidar nunca o faz". Segunda a autora, este é o mito mais difundido.
De fato, as pesquisas mundiais indicam que mais de 90% daqueles que tiram a própria vida dão sinais de que irão fazê-lo, entre eles, a verbalização de que não querem mais viver. O comportamento autodestrutivo, as palavras de desesperança sempre se apresentam como pedidos de ajuda. "Mas é preciso que exista alguém do outro lado que identifique os sinais, enxergue o sofrimento do outro e parta para a ação", explica.
A crença de que quem diz não faz é ainda mais recorrente quando vem de um jovem, porque é visto como algo característico de adolescentes, seja na forma de exagero nas emoções ou ainda uma maneira para chamar a atenção. A simples verbalização de querer morrer, normalmente já é um sinal de que há algo a ser investigado.
Outro mito em destaque é acreditar que ao perguntar a alguém se ele ou ela está pensando em se matar você pode estimular essa pessoa a fazê-lo. Ao contrário. O que dizem os especialistas é que se você estiver desconfiando da intenção de alguém, deve abordá-lo da forma mais direta possível perguntando se ele já pensou nisso e se já chegou a planejar o ato. É desta forma que você irá saber a gravidade da situação.
No caminho da prevenção
A grande questão por trás do suicídio é o que fazer - ou mesmo, se há o que fazer - quando uma pessoa chega ao ponto de desistir da vida. Há quem procurar? Depressão, angústia, medo, desamparo, apatia. Estes são os sentimentos que corroem um ser humano até que tudo deixa de fazer sentido. É nesse momento que o suicídio surge como única saída. É o que os especialistas chamam de "afunilamento" das percepções, muito comum em níveis avançados de depressão.
Como ajudar nesses casos? Se aproximando da pessoa, conversando abertamente e a encaminhando a um tratamento adequado. De início, o indicado é tentar entender onde dói, o que o incomoda, o porquê do indivíduo não enxergar outras saídas. Em seguida, procure ampliar sua percepção apontando para opções que ele não consegue ver.
Mortes por suicídio no Brasil: Homens |
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Fonte: DATASUS/ Ministério da Saúde (1996-2002) |
No caso do suicídio, o termo "prevenção" adquire um significado diferente, porque não se trata de um processo preventivo qualquer. A trajetória inclui a identificação de sinais verbais e não-verbais sutis que já indicam certa gravidade no quadro de quem os expressa e é preciso agir rapidamente. Ou seja, não se trata de evitar uma "doença" antes que ela apareça, e sim de estancar um processo já em evolução.
No Brasil, o trabalho do Centro de Valorização da Vida, CVV, merece todos os méritos pela boa iniciativa voluntária de salvar vidas. Trata-se de uma equipe de voluntários que atende de forma sigilosa pessoas que geralmente não têm quem os ouça ou não se sentem à vontade para conversar com os amigos e familiares. A entidade está espalhada por todo Brasil. No ano passado, o CVV recebeu 1.120.226 ligações em todo o território nacional.
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