Comportamento A vitória para um campeão Fundamentada pela teoria sistêmica, pesquisa bibliográfica reconhece as influências psicológicas nos esportes coletivos
Por Salvador Loureiro Rebelo Jr
Salvador Loureiro Rebelo Jr. é psicólogo graduado pela Universidade Estadual Paulista- Unesp/Bauru e Intercambista da Universidade do Minho-Braga/ Portugal E-mail: slrj@ usp.br |
Quem nunca ouviu, em um comentá- rio esportivo, a frase: "ele não estava preparado psicologicamente"? Senso comum ou não, a necessidade da preparação psicológica para o bom desempenho da prática esportiva é certa, como aponta Franco (2000). Saber ganhar e perder tem sido um dos grandes desafios daqueles que esco- lheram viver constantemente a competição.
O esporte é um meio pelo qual se viven- ciam as emoções com intensidade. Os pro- cessos emocionais podem perturbar a ação desportiva, implicando não apenas na pre- paração física e psicológica dos atletas, mas também em suas relações humanas. É preci- so manejar os níveis destas emoções para que não prejudique o desempenho do atleta.
O reconhecimento da importância dos fatores psicológicos no rendimento esportivo tem sido uma constante no mundo competitivo, afirma Rubio (2004). Isso porque, embora não se saiba ao certo quais variáveis atuam no comportamento de atletas e equipes esporti- vas, tem-se a certeza de que as questões emo- cionais tornam-se o diferencial nos momentos decisivos, uma vez que a paridade técnica é cada vez maior no alto rendimento. Diante dessa situação, tem sido frequente a solicitação da Psicologia do Esporte para auxiliar na formação e preparação dos atletas.
Nessa perspectiva, a preparação psicoló- gica pode influir positiva ou negativamente no funcionamento físico, técnico e tático do atleta e, portanto, é muito importante controlá-lo na direção adequada, com o objetivo de otimizar o rendimento esportivo, respeitando suas limitações.
"Saber ganhar e perder é um dos desafios para quem escolhe viver constantemente a competição"
No entanto, como observa Franco (2000), a Psicologia do Esporte não lida apenas com as questões do atleta. Ela trabalha também com o psicológico do técnico e dos demais membros da comissão técnica, no sentido de colaborar com sua saúde e equilíbrio emocional, contribuindo para a harmonia do relacionamento atleta-técnico. Os familiares do atleta e a torcida também podem compor o quadro de atendimento deste profissional. Outra abrangência do trabalho psicológico se estende para os dirigentes, patrocinadores e a mídia.
Conjunto Complexo
De acordo com Rubio (2004), discutir o fenômeno esportivo na atualidade é refletir para além das marcas, recordes e rendimento. É, antes de tudo, reconhecer o esporte como um conjunto complexo de elementos que envolvem o atleta, protagonista do espetáculo; o espectador e a torcida, razão da realização do espetáculo; e os patrocinadores e as empresas envolvidos com a manutenção de equipes e atletas.
Com base na teoria sistêmica, é a partir do exame das inter-relações entre todos os membros da "instituição" que se compreende a dinâmica do grupo. É necessário, então, que o trabalho seja desenvolvido, considerando a realidade de cada atleta, mas que não se reduza a um mero somatório de individualidades. O esporte coletivo depende da interação e integração entre os componentes. Ao se privilegiar o mérito individual em detrimento da qualidade coletiva, o resultado pode ser a derrota. Desta forma, o estudo do processo grupal, no âmbito esportivo, pode ser entendido por meio do princípio da não somatividade do pensamento sistêmico, considerando que o todo é maior do que as partes e que cada parte somente poderá ser entendida no contexto do todo.
Assim, para que a abordagem sistêmica produza uma mudança significativa, não devem ser implicadas apenas mudanças a partir da dinâmica intrapsíquica de seus membros, mas sim em mudanças estruturais dentro da equipe e em seus relacionamentos com o ambiente, sendo a "instituição" analisada em sua totalidade. O psicólogo esportivo, como mediador do grupo, deverá atuar como catalisador deste processo de mudança.
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O reconhecimento da importância dos fatores psicológicos no rendimento esportivo tem sido uma constante no mundo competitivo. A atuação da torcida, por exemplo, pode ser um fator que altera o desempenho do atleta
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Inter-relacionamento
Uma das maiores habilidades a serem desenvolvidas é o inter-relacionamento. Optar por uma "boa convivência", tão necessária para que atletas, técnicos, torcidas e fa- miliares possam coexistir harmonicamente, é um grande desafio.
Diante dos jovens atletas, o técnico é uma pessoa estranha ao meio familiar, que exerce muita influência em suas vidas. Esta interferên- cia, por vezes, é o estopim para conflitos em família e equipe esportiva.
As implicações e influências dos pais, no desem- penho do filho praticante de uma atividade física, terá uma conotação que irá de positiva a negativa, dependendo da forma como for trabalhada. A pre- sença dos pais nos treinos e nos jogos vai despertar alguma reação no atleta, seja ela de contentamento ou constrangimento, de aprovação ou não. Apenas não vai passar despercebida ou sem exercer influên- cia, o que serve de alerta ao profissional da Psicolo- gia do Esporte, para que intensifique a atenção, de forma a facilitar o encaminhamento das interferên- cias para um aspecto positivo.
A atuação da torcida também pode ser um fator que altera o desempenho do atleta ou atin- ja-o de alguma maneira. Cratty (1984, apud Machado, 1997) considera que o potencial de avaliação de uma torcida é um dos fatores mais importantes que se acredita existir como modi- ficador do desempenho do atleta por meio de uma ação e reação, ou seja, se a torcida estiver apática, o atleta se tornará apático ou vice-ver- sa. Desta maneira, observamos a atuação do atleta em função das reações do espectador, do técnico e de outros integrantes da equipe.
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