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Aprendizado
Contribuição e socialização da neuroanatoma
Entender o funcionamento do sistema nervoso central pode contribuir, de maneira positiva, para o desenvolvimento de habilidades cognitivas dos estudantes, tais como a linguagem e a criação do raciocínio abstrato

Por Carlos Alberto de Souza Cabello e Mariangela H. Siniscalchi

Carlos Alberto de Souza Cabello é psicopedagogo, mestrando em Educação Matemática pela Uniban-SP e professor no Ensino Superior (Uniban e Estácio de Sá) e no Ensino Técnico da Escola Técnica São Francisco de Bórgia. Mariangela H. Siniscalchi é graduada em Tradução e Intérprete (Unibero) com larga experiência com Ensino Fundamental e Médio realizando também acompanhamento multidisciplinar a alunos com dificuldades de aprendizagem.

A necessidade de aprender cada vez mais não é um fato novo para ninguém na atual sociedade sempre conectada e interessada em diminuir distâncias e provocar reflexões constantes sobre a necessidade de "aprender a aprender" (MORAN, 2002), em uma velocidade nunca antes conhecida. "Aprender fazendo" é o princípio que rege os primeiros anos de nossas vidas, quando aprendemos a engatinhar, a andar, a ganhar domínio sobre os signos e a desenvolver a linguagem. Embora o aprendizado jamais tenha fim, as bases do saber são lançadas em grande parte já na infância (LURIA, 1999).

 

Os sentimentos podem estimular o aprendizado, intensificando a atividade de redes neuronais e fortalecendo suas conexões sinápticas desde a mais tenra idade

"Toda pessoa que não detenha distúrbios neurológicos ou neuropsicológicos É capaz de aprender e avançar"

A escola proporciona oportunidades de transformações na vida das pessoas que propiciam a socialização de novos conhecimentos que lhes permitiram desfrutar de uma vida mais digna. O trabalho do magistério é extremamente envolvente, uma vez que ele contribui para que diversas pessoas comecem a enxergar o mundo com outros olhos.

No entanto, é preciso haver uma constante capacitação para que se entendam comportamentos e atitudes dos alunos, descobrindo estratégias para motivá-los a obter prazer na descoberta de novos ensinamentos.

Por essa razão, os conhecimentos de neurobiologia devem ser interiorizados pelos professores e pais, pois é vital saber que, pas- sada a puberdade, o cérebro se deixa modelar com menos facilidade e a formação de novas conexões sinápticas torna-se mais rara, razão pela qual nossa dificuldade em reter dados novos na memória é tão maior quanto mais tardia sua aquisição.

Nossos alunos e filhos em idade escolar estão propícios a armazenarem novas informações e, por isso, devem procurar formas diversas para estimular estas capacidades antes que seja tarde. Exemplo disto é a criança que, desde pequena, convive com dois idiomas. O processo de fixação do segundo é feito em redes tão estáveis que ela continuará domi- nando o, ainda que tenha deixado de usá-lo por décadas. A mesma lógica se aplica a outras áreas, como a dos números. Exercícios tão lúdicos quanto a justa divisão de um bolo entre amiguinhos nas brincadeiras cotidianas lançam as bases neuronais da compreensão matemática. Quanto maior a quantidade de dados semelhantes preexistentes, tanto mais fácil é a fixação do novo. Aprender, afinal, é um processo que se autoalimenta: quanto mais um aluno souber de matemática ou in- glês, tanto mais rapidamente avançará nessas disciplinas (LURIA, 1999). É importante destacar que aprender só é possível graças a nossa capacidade de memorização pelo processo neurobioquímico que acontece no SNC (Sistema Nervoso Central).

ESTIMULANDO A APRENDER

Toda pessoa que não detenha distúrbios neurológicos ou neuropsicológicos, quando exposta às situações motivadoras de ensino, é capaz de aprender e avançar em relação a seus padrões anteriores de desempenho e aprendizagem. Padrões de aprendizagens cognitivas desenvolvidas pela escola podem ocorrer com maior ou menor grau de intensidade em função das características e estimulações desenvolvidas dentro dos ambientes sociais de onde seus alunos provêm e, neste momento, deve-se mencionar a participação da família e professores que deveriam incentivar os primeiros estímulos.

Não é de hoje que os cientistas buscam aprofundar o conceito de inteligência e saber como se desenvolvem as habilidades intelectuais na infância. Nos anos iniciais de escolaridade, o desempenho cognitivo e acadêmico de crianças e jovens de diferentes classes sociais tende a atingir patamares médios bastante semelhantes se forem respeitados as dificuldades e obstáculos iniciais dos alunos, além de garantida a aprendizagem continuada com reforço, orientação e processos para- lelos de acompanhamento para aqueles que, ao longo do ciclo, apresentarem maiores dificuldades na relação ensino-aprendizagem. O conhecimento das ações do inconsciente e de conhecimentos neurobiológicos por parte do professor/pais pode, nestes casos, colaborar no processo de ensino-aprendizado.

Padrões de aprendizagens cognitivas podem ocorrer com maior ou menor grau de intensidade em função dos estímulos recebidos pelos alunos

Em seu conjunto, os sentimentos podem estimular o aprendizado, intensificando a atividade de redes neuronais e fortalecendo suas conexões sinápticas (DOWKER, 2005). Mas é precisamente entre os 3 e os 10 anos que o cérebro está sempre à procura de novo alimento, o que, de resto, o mundo lhe oferece em abundância: a cada segundo, uma profusão incomensurável de impressões abre caminho pela via dos sentidos. Como é o cotidiano escolar? Raras vezes, ele procura expandir as capacidades preexistentes. Ao contrário, busca-se compensar o déficit resultante da comparação entre o currículo exigido e o saber efetivo dos alunos. Em vez da escola se valer das capacidades de cada um e expandir, os alunos são predominantemente atormentados com suas deficiências individuais. A situação ainda é pior, pois muitos professores ensinam suas matérias sempre da mesma forma. Aos alunos resta como último recurso decorar os conteúdos ensinados, em vez de aprendê-los. Do ponto de vista neurobiológico, faz pouco sentido. Se o aluno não compreendeu algo bem, decorar irá fortale- cer precisamente as conexões estabelecidas de forma equivocada, pois ele seguirá ativando as. Dessa forma, o erro se imprimirá cada vez mais fundo no cérebro.

Para tanto só há uma saída: a total modi- ficação da metodologia empregada na explicação. Aprender de novo é muito mais fácil que obrigar uma rede neuronal consolidar o reaprender. Se fracassar seguidas vezes num mesmo problema é frustrante, o sucesso no aprendizado ativa a satisfação no aluno e o sistema de recompensar cerebral é saciado (SIEGEL, 2001).

 

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