Sociopsicologia Crise do capital e psicologia De que maneira o sujeito é afetado pela angústia coletiva enfatizada pelas relações de trabalho e distribuição de riquezas e como o campo da psi pode ajudar neste momento
Por Denise Deschamps e Eduardo J. S. Honorato
Indo a outro ponto mais extremo de angústia, poderemos questionar, em outro exemplo possível, um homem que se perdeu no alcoolismo, entendido apenas por uma explicação individual patologizada e "naturalizada" em diagnósticos de um sujeito doente. Ele poderia ser entendido por meio de uma análise dos assustadores índices sobre alcoolismo correlacionados com os números estatísticos de desempregados (não menos estarrecedores)?
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A Psicologia e a Psicanálise devem, sobretudo, analisar o homem, ante a crise, inserido em sua cultura. O contexto histórico-social é crucial para a formação do ego e seu enfrentamento com os problemas financeiros |
Incluir esses "dados de realidade" naquilo que temos a oferecer como possibilidade de fortalecê-lo para lidar com seu mundo, até mesmo naquilo que o prepara para entender os números e índices bombardeados pela mídia em seu cotidiano que, normalmente, mais o assustam do que informam ou preparam-no em sua capacidade de elaboração e enfrentamento da questão.
Esse sujeito que sofre e se vê como "culpado", "incompetente", "despreparado" ou simplesmente doente, assustado procura o profissional do campo psi, e tudo isso comporá o quadro em que esse profissional atuará.
Veremos na clínica o aparecimento de sintomas de ansiedade, pânico e depressão correlacionados à perda de emprego, de poder aquisitivo, de possibilidade de manter filhos em determinado padrão educacional, social, dentre tantos outros fatores. Quadros psicossomáticos afastando a possibilidade de recuperação e representação desse sofrer.
Remeter isso a apenas padrões infantis e individuais, ou ler como incapacidade de adaptação, são leituras possíveis, mas com certeza não darão conta de integrar esse ser de uma maneira completa e saudável com o mundo em que vive, mundo esse, no momento, com diminuta capacidade de contemplar sua necessidade de trabalho.
Em última instância podemos supor uma Psicologia que não seja social? Pensar que refletir sobre isso não tenha importância na prática clínica, organizacional (recursos humanos), educacional, trânsito, dentre outros, é supor um homem capaz de um isolamento impensável em relação ao meio em que ama e trabalha.
A luta antimanicomial no Brasil e o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental há muito trouxe para dentro de seu campo reflexivo e mesmo da construção da sua prática, questões como essas. Não podemos pensar que não existam caminhos já construídos e trilhados, com boa base conceitual para analisar o momento.
Convidamos então para a permanente reflexão sobre o que se tem nomeado como "campo psi" em que tanto a Psicologia quanto o fazer psicanalítico se inscrevem.
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