Abordagem Script de vida Criada pelo psiquiatra canadense Eric Berne, a Análise Transacional, oferece alternativas para que o indivíduo transforme o plano de vida criado na infância em algo espontâneo e autônomo
Por Maria de Los Angeles Amoroso
"Jean Paul Sartre afirma que ao sermos
‘lançados’, temos a responsabilidade
de dar algum significado à nossa vida" |
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| Desde os primeiros momentos, a criança oberca as mensagens do mundo externo e estrutura visões internas sobre si mesma e sobre as coisas ao seu redor |
Argumento e mandato
Não devemos confundir destino com argumento (script) de vida. Um argumento é um plano ou um programa concebido na infância, baseado em influências parentais e logo esquecido ou reprimido, mas que continua com seus efeitos. É necessário, pois é por meio dele que somos capazes de responder a perguntas do tipo: Quem sou eu? Que faço neste mundo? Quem são os que me rodeiam?
A influência dominante na convivência social é o argumento, e desde que este surge, se adapta a partir de um protocolo baseado nas primeiras experiências do indivíduo com seus pais.
Argumento de vida é, portanto, um plano que o indivíduo cria, quando criança, para a sua vida. As mensagens parentais, chamadas mandatos ou injunções, são enviadas pelos pais (ou substitutos), normalmente, de forma não verbal, e são recebidas como ordens pelos filhos, que frequentemente decidem obedecer por não possuírem outras informações.
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Em um ambiente familiar estável as crianças tendem a ganhar um script de vida, devido à superproteção parental
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Existem muitos mandatos como, por exemplo: “não viva”, “não sinta”, “não pense”, “não cresça”, “não seja você mesmo”, “não faça”, “não consiga” (“fracasse”), etc. (veja quadro Mensagens interiorizadas).
Importante ressaltar que as Injunções agem por toda uma vida sem que o indivíduo tenha consciência da existência delas. Os pais ou substitutos, por sua vez, também não têm consciência que estão transmitindo tais mensagens. Portanto, tudo fica perfeitamente “camuflado”. Às vezes alguns indivíduos apenas suspeitam que exista “algo errado” em sua vida, mas fica por isso mesmo.
Em um ambiente familiar saudável, os pais darão proteção incondicional a seus filhos, a despeito do que eles possam fazer. Quando os pais tornam sua proteção condicional à submissão da criança a suas injunções e atribuições, os filhos estarão propensos a desenvolver um script. Normalmente, as decisões do script são conscientemente tomadas a fim de acompanhar as injunções parentais, mesmo quando se contrapõem aos mais legítimos interesses da criança. Nesse ponto, a criança troca sua autonomia pela proteção dos pais para evitar a punição e a crítica. Esta decisão envolve uma mudança da posição “Eu sou OK” para a posição “Eu não sou OK”. Também envolve uma decisão sobre as outras pessoas, se elas são “OK”. Quando as pessoas tomam tais decisões podem precisar da ajuda de um terapeuta para desfazer-se do script e começar a buscar um curso de vida autônomo como afirma Berne: “é como se a criança escrevesse uma peça de teatro e passasse toda sua vida cuidando de montá-la. Procurando personagens, cenários, músicas. Algumas pessoas decidem seu argumento de vida muito cedo, com poucas informações e pouca capacidade para decidir coisas para o resto de sua existência. O roteiro da sua vida torna-se, então, autolimitador. Alguns conseguem ser os diretores desse drama. Uns nem palpitam sobre ele; alguns são personagens principais da sua história; e outros são atores coadjuvantes”.
"O processo terapêutico em análise transacional ajuda o cliente a refletir sobre seu script de vida" |
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Pai da AT
- Eric Berne, psiquiatra estadunidense, criador da Análise Transacional, nasceu em 10 de maio de 1910 em Montreal, Quebec, Canadá, e faleceu em l970, na Califórnia. Para quem quiser se aprofundar em seu trabalho, o site oficial http://www.ericberne.com traz toda sua biografia, dividida em tópicos, a história da teoria que o tornou famoso, seus best-sellers e outras curiosidades. O site está todo em inglês.
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| Os mandatos ou injunções são enviados pelas figuras parentais às crianças que obedecem e guardam aquilo como regras até aprenderem a questionar |
Modelo de liberdade
A criança toma decisões de roteiro porque julga necessário. Observa as pessoas que considera importantes e as usa como modelo (veja quadro Mensagens interiorizadas).
Os fatores que influenciam a criança são: falta de força, incapacidade de lidar com o estresse, imaturidade na capacidade de pensar, falta de informações, medo de deixar de ser amada, insegurança, etc (veja quadros comparativos Plano de Vida e Argumento de vida).
Existem argumentos que nos ajudam a viver e outros que comprometem todo o nosso futuro. Devemos desenvolver o poder de nos libertar do “argumento”. Isto é obtido utilizando-se de técnicas que nos ensinem a elaborar um Plano de Vida que responda e sacie nossos anseios.
Roteiro de argumento
O argumento é incorporado inconscientemente, por meio das injunções e das carícias que recebemos, e se transforma em um Argumento de vida.
Esses estigmas determinam o Argumento de (não) Vida do Adulto. Para se diagnosticar um argumento observa-se o comportamento, a história pessoal, os sonhos e fantasias e os comportamentos parentais.
Vários tipos de roteiro já foram identificados por analistas transacionais, e é interessante se destacar dois especificamente. O psiquiatra argentino Roberto Kertész (Manual de Análisis Transaccional) classifica o script quanto ao êxito em cumprir as metas em cinco categorias: triunfador; vencedor; carreirista; não vencedor e perdedor.
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| Um clima de incentivo em casa pode influenciar positivamente na construção de bons argumentos de vida |
O triunfador fixa as metas com autonomia, com critério realista e as cumpre. Por não estar sujeito a um script, tem muitas opções. Troca carícias positivas incondicionais e condicionais. Toma riscos calculados e se compromete. O vencedor fixa as metas de acordo com as expectativas parentais e as cumpre. Enfrenta os riscos que os limites de seu script lhe permitem sair de seu caminho sem trocar suas metas básicas. Tem um bom programa para cumpri-las. Troca algumas carícias positivas incondicionais e a maioria de positivas condicionais. Poucas negativas. O carreirista cumpre as metas sem escrúpulos. Toma riscos e se algo sair mal coloca a culpa nos outros. Acredita que as pessoas existem para serem usadas. Troca falsas carícias positivas e carícias negativas. Já o não vencedor cumpre suas metas em parte. Toma poucos riscos e, por isso, fica na mediocridade, o “homem massa”, um bom membro da comunidade. Troca mais carícias negativas que positivas. E o perdedor não cumpre nenhuma meta. Toma riscos não calculados. Só pensa no que vai ganhar, não no que pode perder, e fracassa. Inventa grandes negócios, porém não ativa suas coisas. Troca carícias negativas.
Já o psicólogo Claude Steiner, autor do livro Os papéis que vivemos na vida (Editora Artenova, Rio de Janeiro, 1976), classifica os scripts básicos em três maneiras pelas quais as vidas autônomas das pessoas são frustradas e distorcidas: Script de Falta de Amor (depressão); Script de Falta de Cabeça (loucura) e Script de Falta de Alegria (drogas).
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