Abordagem Script de vida Criada pelo psiquiatra canadense Eric Berne, a Análise Transacional, oferece alternativas para que o indivíduo transforme o plano de vida criado na infância em algo espontâneo e autônomo
Por Maria de Los Angeles Amoroso
Tentar é o inverso de fazer. “Veja só o quanto me esforcei” é um jogo com três participantes; o marido, a mulher e o terapeuta; ou com dois participantes; a criança e um dos seus pais. “Eu não sei fazer, logo eu não tenho culpa”. É uma reação ao “seja perfeito”, “agrade sempre”.
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| Alguns Scripts da Vida são caracterizados por depressão completa, outros surgem como vícios em drogas, cigarro ou café |
Segundo Dorothy Jongeward & Muriel James (1975), “um dos alvos importantes da Análise Transacional é dar ao indivíduo uma melhor oportunidade de dirigir e tomar conta da sua própria vida”. Compreendendo as influências que modelam a personalidade e as compulsões que as pessoas vivem, de acordo com um argumento de vida subconsciente, e estando ciente das transações que às vezes parecem construtivas ou destrutivas, uma pessoa pode reconhecer o poder que tem sobre suas próprias metas de vida. A pessoa que reconhece que é um gerente de sua própria vida está experimentando autonomia.
Busca por autonomia
Para o psiquiatra Eric Berne, a pessoa verdadeiramente autônoma demonstra consciência, espontaneidade e intimidade. A intimidade é sua capacidade de contatar outras pessoas e deixar-se contatar por elas, não de uma maneira artificial ou automática, mas essencialmente, com todo o ser, fazendo de cada encontro humano uma experiência profunda e singular.
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Pai da AT
- O filósofo existencialista Jean Paul Sartre estudava a essência do ser humano. Ele foi um grande estudioso que marcou o século XX com seus ideais sobre existencialismo. Indo contra os principais intelectuais da época, ele afirmava que a existência humana precedia a sua essência. Ou seja, é com o passar do tempo que definimos nossa essência e, portanto, não nascemos com uma já estabelecida. É a partir desta idéia que ele discute sobre o livre arbítrio e nossa real liberdade. Afinal, se estivéssemos ligados (presos) a uma essência já determinada em nosso nascimento, seríamos livres de fato para tomarmos decisões? Seguindo essa filosofia, as crianças sentiriam a necessidade de criar um script parar dar razão/ sentido a sua vida, adotando, principalmente, as injunções e argumentos parentais.
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A pessoa espontânea é flexível, não existe rigidez: seu comportamento flui com leveza e facilidade, modificando-se harmonicamente e sem esforço de acordo com as exigências e necessidades de cada momento. Espontaneidade significa o uso das opções pessoais, a aplicação rica e adequada de todos os estados de Ego. A pessoa espontânea já cresceu e tem condições de continuar crescendo, mais e mais.
Além do argumento (plano ou um programa concebido na infância) temos ainda:
- Contra-argumentos são as ordens parentais que, aparentemente nos salvam do argumento;
- Antiargumento é quando fazemos exatamente o inverso daquilo para o que fomos programados;
- Epiargumento é a passagem do problema na crença de que outro vai carregar a “maldição” do nosso argumento. As mais frequentes são: divórcio, suicídio, homossexualidade, loucura, depressão, fracasso e solidão.
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| As mensagens dos impulsores, ainda na infância, são determinantes para configurar nossas ações. A posição vingativa do impulsor pode fazer que justifiquemos nossos erros culpando os outros |
A pessoa consciente conhece a si mesma. Ela terá reduzido seus preconceitos e suas ilusões, passando seus valores e suas emoções ao nível do adulto: é capaz de conhecê-los, discerni-los, dar-lhes valor e trabalhar para a melhoria ou deleção, conforme lhes sejam úteis ou desnecessários. Ela conhece sua história de vida e a usa em seu próprio benefício. É livre para viver sem necessidade de ser dirigida.
"A pessoa que reconhece que é um
gerente de sua própria vida
está experimentando autonomia" |
A Análise Transacional pode fornecer meios práticos para analisar nossa qualidade de vida e conscientemente optar por uma mudança naquilo que julgamos importante e apropriado mudar. Para haver mudanças são necessárias algumas etapas: compreender a maneira em que se vive (como eu vivo?); chegar à conclusão de que essa maneira de viver precisa ser alterada (o que eu preciso mudar?); decidir conscientemente a mudar essa maneira de viver (eu realmente quero mudar? Por quê?); submeter-se à experiência de novas formas de comportamento que cremos ser importante adotar (coloco em prática as mudanças que decido tomar?); obter resultados positivos com essas novas formas de conduta (que resultados obtive com essas mudanças?).
O papel da Análise Transacional é atualizar o Estado de Ego Pai, por meio do registro de ensinamentos, padrões e normas de vida condizentes com as mudanças sociais e culturais pelas quais passa o meio ambiente no qual vivemos; reforçar o adulto, tornando-o um coletor e um analista de dados e um “executivo da personalidade” mais potente; e libertar o Estado de Ego Criança, evitando um enquadramento demasiado ou uma rebeldia agressiva que lhe bloqueiem a criatividade e a manifestação espontânea.
Berne, E. Análise Transacional em Psicoterapia. São Paulo: Summus
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Steiner, Claude M. Os papéis que vivemos na vida. Rio de Janeiro: Editora Artenova, 1976.
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Kertész, R. Manual de Análisis Transaccional. B. Aires: Editora Conantal.
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James, M. Auto Reparentalização em Prêmios Eric Berne, 183-196, Belo Horizonte: UN AT-BR, 1999.
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