DOSSIÊ Esquizofrenia Transtorno afeta 1% da população mundial, o que significa 1 milhão de portadores que enfrentam o preconceito e a falta de informação. Este dossiê apresenta a realidade das pessoas que vivem com esse quadro psiquiátrico
Por ary Gadelha e Rodrigo a. Bressan
TIPOS de Esquizofrenia |
| A partir do diagnóstico de sintomas gerais, o transtorno pode ser classificado por características específicas. Conheça suas subdivisões A partir do diagnóstico de sintomas gerais, o transtorno pode ser classificado por características específicas. Conheça suas subdivisões |

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Parte da obra de Van Gogh conhecida como
“A volta dos prisioneiros”, de 1890 |
Além do diagnóstico, é importante identificar o subtipo da esquizofrenia, que pode variar ao longo do curso da doença. É possível um portador reunir critérios característicos de um subtipo e com determinada evolução de seu aspecto clínico, apresentar sintomas que o identifiquem em outro.
Atualmente, uma ampla revisão das características da esquizofrenia tem sido feita a fim de redefinir os tipos de doença. Isso provavelmente implicará mudanças nos atuais subtipos.
Paranoide
Este tipo de esquizofrenia é o mais comum e também o que responde melhor ao tratamento. Diz-se, por causa disso, que tem prognóstico melhor. A principal característica deste subtipo é o predomínio dos sintomas chamados psicóticos, ou seja, delírios e alucinações. O paciente que sofre essa condição pode pensar que o mundo inteiro o persegue, que as pessoas pensam e falam mal dele, têm inveja, ridicularizam-no, têm intenções de fazer-lhe mal, de prejudicá-lo, de matá-lo, etc. Esses exemplos retratam algumas vivências comuns presentes nos delírios de perseguição. Podem ocorrer também desvarios com outros temas. Não é raro que esse tipo de paciente tenha também delírios de grandeza, ideias além de suas possibilidades: “Eu sou o melhor cantor do mundo. Nada me supera”. Esses pensamentos podem vir acompanhados de alucinações, aparição de pessoas mortas, diabos, deuses, alienígenas e outros elementos sobrenaturais. Algumas vezes esses pacientes chegam a ter ideias religiosas e/ou políticas, proclamando-se salvadores da Terra ou da raça humana. Apesar de ser o tipo mais frequente, o seu diagnóstico formal só pode ser feito quando for excluída a possibilidade de tratar-se dos tipos mais graves, o hebefrênico e o catatônico. Esse tipo corresponde mais exatamente ao ideal popular de loucura e de esquizofrenia.
Hebefrênica ou desorganizada
Neste grupo se incluem os pacientes que têm problemas de concentração, pouca coerência de pensamento, pobreza do raciocínio, discurso infantil. Às vezes, fazem comentários fora do contexto e se desviam totalmente do tema da conversação. A fala é desconexa, sem sentido. Nas formas mais graves, dizemos que vira uma “salada de palavras”. Falta a coerência central, a capacidade de seguir uma linha de raciocínio. Como fica evidente por essas características, sua principal marca é o que chamamos de desorganização do pensamento.
Essa desorganização se manifesta em todas as esferas do comportamento. Na esfera afetiva, por exemplo, tanto podem expressar uma falta de emoção ou manifestar emoções pouco apropriadas, rindo-se a gargalhadas em ocasiões solenes, rompendo a chorar por nenhuma razão em particular, etc.
Neste grupo também é frequente a aparição de delírios (crenças falsas), por exemplo, que o vento se move na direção que eles querem, que se comunicam com outras pessoas por telepatia, etc. Esses delírios tendem a ser bizarros e mutáveis. Por vezes até difíceis de identificar em meio ao caos que vira a vida psíquica do paciente. Normalmente os indivíduos acometidos por este tipo iniciam a doença em idades mais precoces, esse é um dos motivos pelo qual também é chamada de hebefrenia. (do grego. hébe, mocidade + phrén, inteligência, alma)
Esta é considerada atualmente a forma mais grave da doença.
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Confusão de sintomas
Muitas pessoas confundem Esquizofrenia com Transtornos de Personalidade Múltipla. Apesar de o psiquiatra suíço Eugen Bleuler ter cunhado o nome esquizofrenia (que significa mente dividida), ela vai muito além do que a sua etimologia pode propor. O transtorno de personalidade múltipla se configura quando o indivíduo adota duas ou mais personalidades distintas. Nestes casos, a transição de uma personalidade para outra ocorre de forma repentina e inesperada, fazendo que o indivíduo adote nova postura, trato e atitudes. |
Catatônica
Apresenta como característica mais evidente uma alteração da atividade motora. Na forma clássica o paciente passa horas parado na mesma posição. Em alguns casos, ao se movimentar alguma parte de seu corpo, esta fica na posição em que for deixada, mesmo que seja desconfortável ou bizarra. Esse fenômeno é chamado de flexibilidade cérea. Podem ainda alternar os longos períodos de imobilidade com momentos de intensa agitação e agressividade não dirigida, quadro denominado estupor catatônico. Nas formas mais graves, deixa de tomar banho e não tem nenhum cuidado higiênico. Deixa, também, de comer e beber. No passado, era a forma mais grave da doença, pois os pacientes morriam de desnutrição ou infecções. É uma forma da doença que apresenta uma ótima resposta à medicação e, por isso, torna-se cada vez menos observada. Atualmente é o tipo menos frequente de esquizofrenia.
"OS PACIENTES ESQUIZOFRÊNICOS NEM
SEMPRE SE ENCAIXAM PERFEITAMENTE
NUMA DESTAS CATEGORIAS"
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Residual
Este termo é usado para se referir a uma esquizofrenia que já tem muitos anos e com muitas sequelas. O prejuízo que existe na personalidade desses pacientes já não depende mais dos surtos agudos. Nesta forma crônica de esquizofrenia podem predominar sintomas como o isolamento social, o comportamento excêntrico, emoções pouco apropriadas e pensamentos ilógicos.
Simples
Também é pouco frequente. Aparece lentamente, normalmente começa na adolescência com emoções irregulares ou pouco apropriadas, pode ser seguida de um paulatino isolamento social, perda de amigos, poucas relações reais com a família e mudança de caráter, passando de sociável ao isolamento e terminando em depressão. Nesta forma da esquizofrenia não se observam muitos surtos agudos.
Existe uma grande controvérsia se seria considerado um tipo específico da doença.
Indiferenciada
É importante destacar que os pacientes esquizofrênicos nem sempre se encaixam perfeitamente numa destas categorias. A estes pacientes se pode dar o diagnóstico de esquizofrenia indiferenciada.
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