Dossiê Crianças que se lembram de vidas anteriores A hipótese da reencarnação oferece uma possível explicação para distúrbios de comportamentos observados na Medicina e na Psicologia, difíceis de explicar exclusivamente pela influência genética e ambiental
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| Por Erlendur Haraldsson, PhD, professor emérito de Psicologia da Universidade da Islândia e professor visitante da Universidade de Freiburg (Alemanha) |
As crianças que reportam memórias de supostas vidas anteriores são encontradas em muitos países. Frequentemente elas apresentam relatos de mortes violentas, fobias e marcas de nascença referidas por elas como decorrentes da vida anterior. Vários pesquisadores põem à prova o papel de algumas características psicológicas e as circunstâncias em que as crianças vivem, como fantasia, sugestionabilidade, dissociação, chamar a atenção, e argumentam que a hipótese da reencarnação oferece uma possível explicação para comportamentos incomuns não produzidos ou imitados no contexto familiar.
Marcas ou defeitos de nascimento são características importantes, por vezes, envolvidas nos casos de crianças que falam de memórias de supostas vidas anteriores. Em sua obra de dois volumes sobre casos de marcas e defeitos de nascença, Ian Stevenson oferece uma descrição detalhada de 225 casos. Onze deles são do Sri Lanka. Neste país, também investiguei 60 casos de crianças que falavam sobre eventos e indivíduos relacionados a uma vida anterior. Um deles é o caso de Purnima Ekanayake, que estudei durante cinco visitas àquele país, de setembro de 1996 a março de 1999, com a entrevista e reentrevista de numerosas testemunhas.
Purnima tinha nove anos quando eu a conheci na sua casa em Bakamuna, uma pequena cidade do distrito de Polunnaruwa, do Sri Lanka central. Conforme seus pais, Purnima falava de uma vida anterior desde os três anos de idade. Ela se comunicou livremente entre nós e, por vezes, corrigia as declarações iniciais que seus pais faziam. Ela parecia bem ajustada psicologicamente, feliz em sua família e era uma criança aplicada na escola. Sua comunicação era clara e todos os seus relatos ao longo das várias entrevistas mantiveram coerência e linearidade, sem contradições.
Logo após o seu nascimento, a mãe de Purnima notou marcas de nascença como grandes aglomerados de hipopigmentação (nevos) à esquerda da linha média do peito, e sobre as costelas inferiores.
Quando Purnima começou a falar dos eventos passados, em 1990, seus pais deram pouca atenção. Foi só no início de 1993, que dedicaram algum interesse a seus persistentes relatos. A primeira afirmação incomum que Purnima repetidamente verbalizava quando criança foi: "As pessoas que dirigem mais pessoas na rua são pessoas ruins". Purnima também fez declarações sobre um acidente fatal com um veículo de grande porte (Zoku uahana geralmente significa um ônibus ou caminhão). Ela relatou que em seguida à sua morte flutuou no ar na semiescuridão por alguns dias, viu pessoas chorando em luto e também seu corpo no funeral: "Havia muitas pessoas flutuantes ao redor, então eu vi uma luz, fui lá e vim aqui (para Bakamuna)".
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