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Treinamento em habilidades sociais
Optar por ser ou não assertivo é saber se adaptar às circunstâncias:uma competência necessária para se manter uma relação interpessoal bem-sucedida, que leva em conta o contexto de cada situação

Por Mônica Portella e Veruska Santos

 empatia além da assertividade 

Em artigo, a pesquisadora Eliane Falcone, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, afirma que a empatia deve ser entendida como uma habilidade complementar à assertividade. O comportamento empático, segundo a estudiosa, inclui:
a) um componente cognitivo, caracterizado por uma capacidade de compreender acuradamente a perspectiva e os sentimentos dos outros;
b) um componente afetivo, caracterizado por sentimentos de compaixão/preocupação com a outra pessoa; e
c) um componente comportamental, entendido como manifestações verbal e não verbal de compreensão dos estados internos da outra pessoa.

A pessoa agressiva geralmente consegue aquilo que quer. Ela é direta, incisiva, usa um tom de voz alto, utiliza o dedo em riste. Muitas vezes faz ameaças, possui um volume alto e a velocidade da fala é rápida. O fato é que, na maioria das vezes, o agressivo consegue sua meta, no entanto, em longo prazo, a agressividade tem um custo alto. Para Caballo (2008), Smith (1997), Alberti e Emmons (2008), a raiva tem um efeito muito negativo na clareza e eficácia da comunicação com as outras pessoas. Elas prestam mais atenção à raiva e menos ao que está se tentando comunicar. O agressivo desrespeita os direitos individuais dos demais e faz que o outro se sinta magoado, indefeso e humilhado. Sua atitude gera ressentimento e frustração, sentimentos que mais tarde poderão retornar como vingança.

Passividade prejudicial

No comportamento passivo, a pessoa vai sempre ceder e fazer tudo o que os outros querem, porque o que o passivo menos se importa é com ele, então é fácil lidar com pessoas passivas. O tom de voz é baixo, às vezes inaudível, e o passivo não encara o interlocutor, olha para baixo, com expressão de medo, de tristeza, quase não gesticula, esfrega as mãos demonstrando ansiedade. Estudos mostram que sintomas físicos como dor de cabeça, cansaço geral, problemas estomacais, alergias e asma estão associados ao comportamento não assertivo.

No comportamento passivo agressivo, a pessoa utiliza elementos de agressividade e de passividade. Faz o mínimo de contato visual possível, geralmente olha para frente, apresenta uma postura fechada, usa de indiretas em seu discurso, sendo muitas vezes irônico, sarcástico e possui senso de humor duvidoso e irritante. É manipulador e superficial em suas relações e dificilmente se coloca para não se envolver nem com as pessoas, nem com as situações e quando o faz distorce as palavras dos outros. Fala por indiretas e faz com que os outros se sintam culpados, desempenhando o papel de coitadinho, injustiçado.

imagens: shutterstock / reprodução
Ao contrário, pessoas com déficits em habilidades sociais têm tendência em se envolver em conflitos interpessoais e apresentam diversos problemas psicológicos

 

Classificação das HABILIDADES SOCIAIS

Comunicação Verbal: pode ser definida como uma troca de informação verbal entre duas ou mais pessoas. Segundo Chiavenato (2000), significa tornar comum uma mensagem ou informação. As pessoas se comunicam de diversas formas, mas a comunicação verbal é a mais comum e se refere à emissão de palavras e sons que usamos para nos comunicar. A comunicação é responsável pela formação de extensas redes de troca social que mantêm e alteram a cultura. A interação social se manifesta na comunicação entre as pessoas e é por meio desta e de outros fenômenos que as pessoas manifestam seu comportamento em relação aos outros.
Sensibilidade Perceptiva (comunicação não verbal):envolve a capacidade de decodificar o significado de comportamentos não verbais, por meio de gestos, posturas, expressões faciais, movimentos dos olhos, paralinguagem, dentre outros. Refere-se também à capacidade de transmitir mensagens não verbais de acordo com os objetivos sociais. A comunicação não verbal não apenas se ajusta à comunicação verbal, mas também favorece a expressão de intenções e emoções (Portella, 2006). Para Rector e Trinta (1985; 1990, citado por Portella, 2006), 65% da nossa comunicação é não verbal. A percepção da atitude de uma pessoa seria influenciada em 7% pelo conteúdo verbal, 38% pelo tom de voz e 55% pela face (Fortuna e Portella, 2010).
Capacidade Reforçadora: refere-se à habilidade de fornecer e de receber feedback positivo e negativo. Para Fortuna e Portella (2010), dar e receber feedback (retroalimentação)

 

 
constituem habilidades essenciais para regular o próprio desempenho e os das pessoas com quem se convive, visando a relações saudáveis e satisfatórias. Dar e receber feedbacks podem ser entendidos como uma descrição verbal ou escrita sobre o desempenho da pessoa.
Autoapresentação Positiva: é uma habilidade social que consiste na capacidade de apresentar-se de forma adequada nas diferentes situações sociais, envolvendo aspectos relacionados às regras de demonstração e à aparência (Portella; Stingel e Bastos, 2005). Pode também ser definida como as maneiras pelas quais os indivíduos buscam controlar as impressões pessoais para atingir um determinado objetivo (Leary, 1995).
Capacidade Empática: é a capacidade de compreender e sentir o que alguém pensa e sente em uma situação de demanda afetiva, comunicando-lhe adequadamente tal compreensão e sentimento (Del Prette e Del Prette, 2001). Por meio da empatia, é possível compreender os sentimentos e perspectivas da outra pessoa e experimentar para com a mesma compaixão e preocupação com seu bem-estar (Falcone, 1999).
Assertividade: é a capacidade de expor de maneira objetiva, clara e direta o que se pensa, sente ou quer sem ser passivo, tampouco agressivo. Envolve autorrespeito e respeito pelos outros. É exercer os próprios direitos sem violar os dos outros, se colocando sem ser agressivo e sem ser passivo. Dizer sim quando quer dizer sim, dizer não quando quer dizer não e solicitar mudança de comportamento são exemplos.

 

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