Neurociência O tratamento não medicamentoso de DDAH O treinamento neurológico desempenha papel determinante no tratamento dos mais diferentes quadros que, durante muito tempo, só encontravam alento em tratamentos medicamentosos
por Leonardo Mascaro
O caso a seguir ilustra como o treinamento neurológico por Neurofeedback permitiu o resgate de um funcionamento saudável a um menino de 10 anos de idade com sérios problemas atencionais e comportamentais. Este menino, que chamaremos de RB, chegou ao meu consultório com um quadro diagnosticado de hiperatividade e déficit de atenção (DDA/DDAH).
Mapa inicial
Mapa Q feito antes do início do tratamento |
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O mapa Q ou QEEG (veja quadro Mapa inicial) ilustra alguns aspectos de sua atividade cerebral que, de pronto, ajudavam a entender seu caso. Dois aspectos são evidentes. Em primeiro lugar, o excesso de ondas Delta em ambos os lobos frontais (1ª cabeça, na 1ª linha), o que levava a uma lentificação da atividade destas estruturas responsáveis pelas funções executivas de atenção, concentração e raciocínio abstrato. Além disso, saltava aos olhos o "hot spot" em Fz (Sistema Internacional 10-20), ainda na 1ª linha, 4ª e 5ª cabeças. O exame de tomografia funcional de baixa resolução (veja quadro LORETA, figura A), que realizo em meu consultório, partindo de sua atividade eletroencefalográfica, fornece a localização exata de comprometimentos funcionais inclusive de estruturas mais profundas do cérebro, identificando minuciosamente as estruturas envolvidas. No caso, o LORETA identificou as seguintes estruturas disfuncionais: giro frontal superior e médio, no lobo frontal (área de Brodmann 9), e cíngulo anterior, lobo límbico (área de Brodmann 24). Sabe-se, da literatura na área, que atividade elevada do cíngulo anterior pode contribuir para o aparecimento de tiques, comportamentos obsessivo-compulsivos (TOC), bem como comportamento social aberrante. Não por acaso, esta criança apresentava comportamentos que se enquadravam nestas três classes de alterações comportamentais.
LORETA - Exame de tomografia funcional de baixa resolução |
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Figura A |
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Figura B |
Em outro corte, também fornecido pelo LORETA (Figura B), o programa indicou outras áreas em que o cérebro desta criança apresentava comprometimento de atividade. No caso, deficitária em seus lobos parietais, tanto do hemisfério esquerdo quanto do direito, o que ajudava a explicar sua dificuldade de processar contexto, o que o fazia, muitas vezes, se comportar de modo inconveniente no convívio social, na escola e com a família.
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