O genoma neuronal O processo de aprendizagem envolve muito mais que a mera modificação das redes neurais, ou mesmo a formação de novos neurônios em áreas límbicas ligadas à aprendizagem e memória
por Leonardo Mascaro
Hoje vamos falar de um tema que está na fronteira efetiva da pesquisa sobre aprendizagem neurológica: a modificação da expressão de genes em nosso genoma neuronal.
O primeiro artigo a demonstrar a formação efetiva de novos neurônios no cérebro humano adulto (New Nerve Cells for the Adult Brain) foi escrito em 1996, por Fred Cage e Gerd Kempermann. Neste estudo, pacientes terminais de câncer realizaram uma série de exercícios para o cérebro nos meses que ainda lhes restavam de vida e, tendo doado seus cérebros à pesquisa post mortem, uma vez feita a análise de seus tecidos neurológicos, foi constatada a presença de neurônios neonatos literalmente migrando das áreas límbicas como o hipocampo ou o septo, ligadas à aprendizagem e memória, consideradas verdadeiras fornalhas de neurogênese, isto é, de formação de novos neurônios no cérebro, para áreas superiores, no córtex cerebral.
Este estudo foi revolucionário porque, até então, não se acreditava que o cérebro adulto tivesse a capacidade de se reconstruir e veio, na verdade, confirmar e, mais que isso, explicar os achados de outro estudo publicado no início da década de 1970 por Mark R. Rosenzweig e Edward L. Bennett, em que a mera exposição de ratos a ambientes enriquecidos de estímulos (gaiolas com mais ratos e brinquedos) fazia com que tivessem cérebros signifi- cativamente mais pesados que seus pares de ambientes empobrecidos, em que ou dividiam a gaiola com mais parceiros ou sozinhos simplesmente. Não só isso, mas os próprios contatos sinápticos pareciam mais densos e em maior número.
Pois bem, novamente Fred Cage e Gerd Kempermann, juntamente com A. Muotri, dão um passo adiante nesta linha de pesquisa e indicam que a experiência de aprendizagem envolve níveis de mudança que até hoje se especulava, tão somente.
Em estudo publicado na Scientific American de março do presente ano, os dois pesquisadores jogam luz no mundo submicroscópico dos eventos bioquímicos envolvidos na modificação da atividade neurológica baseada na experiência, leia-se aí, aprendizagem.
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